Flávio Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira, 5 de agosto, o deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, como candidato a vice-presidente. A escolha encerra a tentativa do candidato do PL de formar uma chapa com uma mulher de outra legenda e confirma uma composição inteiramente masculina e partidariamente pura.

O anúncio foi realizado em Brasília depois de semanas de negociações com nomes ligados ao PP e ao Republicanos. Flávio buscava usar a vice-presidência para ampliar a coligação, aumentar a presença de mulheres na campanha e tentar reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino.

A escolha de Gaspar também evidencia a dificuldade do PL para conseguir o apoio formal de outros partidos de centro-direita. PP, Republicanos, União Brasil e Podemos decidiram não integrar uma coligação nacional com Flávio, embora dirigentes e integrantes dessas siglas possam apoiá-lo individualmente.

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O plano era ter uma mulher de outro partido

A senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, chegou a ser apontada como uma das opções preferidas para a vaga. Ela demonstrou disposição para aceitar o convite, mas o PP decidiu manter neutralidade na disputa presidencial e não autorizou a composição.

Após a negativa do PP, o nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, ganhou força. O Republicanos, porém, também decidiu não participar de uma coligação nacional.

Damares Alves, Priscila Costa, Simone Marquetto, Michelle Bolsonaro e outras mulheres ligadas à direita também apareceram nas discussões. Durante o anúncio, Flávio agradeceu às mulheres cogitadas e reconheceu que tentou obter o apoio formal de outras legendas, inclusive para ampliar o tempo de propaganda eleitoral.

Sem conseguir viabilizar uma dessas composições, a campanha recorreu a um nome do próprio PL. A escolha transforma a chapa em uma formação “puro-sangue”, expressão usada para candidaturas em que presidente e vice pertencem ao mesmo partido.

Quem é Alfredo Gaspar

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto tem 55 anos, nasceu em Maceió e exerce seu primeiro mandato como deputado federal. Ele foi eleito em 2022 pelo União Brasil e se filiou ao PL em março de 2026.

Antes de entrar na política eleitoral, Gaspar atuou durante 24 anos como promotor de Justiça. Também foi procurador-geral de Justiça de Alagoas, coordenou um grupo de combate ao crime organizado e ocupou cargos ligados à segurança pública no governo estadual.

Em 2020, concorreu à Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por JHC. Dois anos depois, foi eleito deputado federal por Alagoas.

Até um dia antes do anúncio da chapa presidencial, Gaspar era apresentado pelo PL como candidato ao Senado por Alagoas. Sua retirada da disputa estadual também reorganiza a corrida pelas vagas de senador no estado.

O relatório apresentado pelo deputado tinha mais de 4 mil páginas e propunha o indiciamento de 216 pessoas. Entre elas estava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer, porém, foi rejeitado pela comissão por 19 votos a 12, e a CPMI encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final.

Ao anunciar o vice, Flávio destacou justamente a atuação de Gaspar na CPMI, sua trajetória no Ministério Público e sua experiência na segurança pública. Esses temas devem ocupar espaço central na campanha presidencial do PL.

Gaspar afirmou que atuará ao lado de Flávio no enfrentamento à corrupção e ao crime organizado. Também se apresentou como um representante do Nordeste, região onde a candidatura do PL busca diminuir a vantagem eleitoral do presidente Lula.

Chapa expõe limites da articulação do PL

A escolha entrega a Flávio um candidato a vice com atuação nas áreas de segurança pública e combate à corrupção. Também permite que a campanha explore eleitoralmente as investigações relacionadas às fraudes contra aposentados e os inquéritos envolvendo Lulinha.

Por outro lado, a chapa não resolve dois objetivos definidos anteriormente pela campanha: atrair uma legenda relevante de centro-direita e fazer um aceno mais direto ao eleitorado feminino.