Michelle Bolsonaro aceitou nesta quinta-feira (23) o pedido público de desculpas feito pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Em um vídeo publicado horas depois da manifestação do enteado, a ex-primeira-dama afirmou: “Aceito o seu pedido. Eu te desculpo”.

A sequência dos vídeos ocorreu depois de Valdemar Costa Neto revelar que Michelle esperava uma manifestação pública de Flávio para se reaproximar da campanha. À Revista Oeste, o presidente nacional do PL contou que ela havia dito querer “um gesto dele”. Questionado se o gesto seria um pedido público de desculpas, respondeu que sim.

Valdemar articulou o gesto

O pedido também foi resultado de uma movimentação interna do partido. Segundo a coluna No Ponto, Valdemar se reuniu com Flávio durante quase quatro horas, dois dias antes da gravação, e pediu que o senador fizesse as pazes com Michelle e demonstrasse publicamente que desejava tê-la na campanha presidencial.

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Valdemar havia afirmado que a manutenção do conflito prejudicava o projeto eleitoral do PL e gerava insegurança entre partidos envolvidos nas negociações para a formação da chapa. “Se isso não for resolvido, atrapalha a nossa campanha”, declarou.

No primeiro vídeo desta quinta-feira, Flávio reconheceu que houve “momentos que causaram desconforto”, pediu desculpas e renovou o convite para que Michelle caminhasse ao seu lado. O senador também disse que divergências entre figuras públicas acabavam sendo exploradas pelos adversários políticos.

Na resposta, Michelle valorizou o fato de o pedido ter sido feito publicamente e disse que os dois ainda precisam conversar e “ajustar os detalhes”. Ela defendeu a união do grupo em torno de Jair Bolsonaro e afirmou que pretende reunir forças para a disputa eleitoral.

Trégua antes da convenção do PL

A troca de vídeos ocorreu dois dias antes da convenção nacional do PL, marcada para sábado (25), em São Paulo. O encontro deve oficializar Flávio como candidato do partido à Presidência e ocorre enquanto a legenda negocia alianças e a composição da chapa.

A manifestação pública reduz a principal tensão interna da pré-campanha, mas não define sozinha qual será o papel de Michelle. Ao dizer que ainda pretende conversar e acertar detalhes com Flávio, a ex-primeira-dama deixou a participação na campanha condicionada aos próximos entendimentos.

A crise entre os dois tornou-se pública em 24 de junho. Michelle afirmou que havia sido maltratada e humilhada pelo enteado durante as divergências sobre os rumos eleitorais do PL no Ceará.

O conflito envolveu a aliança do partido com Ciro Gomes e a montagem das candidaturas locais. Michelle defendia outros nomes para o governo e para o Senado, enquanto a direção estadual seguiu a articulação apoiada por Flávio.

A resposta desta quinta-feira transforma o confronto público em uma trégua política às vésperas do lançamento presidencial, mas a própria fala de Michelle mostra que a reconstrução da aliança ainda dependerá de uma conversa fora das câmeras.