Michelle Bolsonaro decidiu deixar a presidência nacional do PL Mulher após a crise pública com Flávio Bolsonaro. A saída foi acertada nesta terça-feira, 30 de junho, em conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília.

A decisão amplia o desgaste interno no bolsonarismo em meio à preparação para as eleições de 2026. Michelle comandava o braço feminino do partido desde 2023 e era uma das principais figuras usadas pela sigla para mobilizar mulheres conservadoras, evangélicas e filiadas nos estados.

Crise começou após divergência sobre o Ceará

A crise ganhou força depois que Michelle publicou vídeos criticando Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada pelo senador em uma conversa sobre articulações do PL no Ceará, onde o partido discute alianças para a eleição estadual.

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O atrito envolveu a possibilidade de apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará. Michelle se opôs à aproximação e disse ter sido tratada por Flávio como alguém sem experiência política. O senador depois pediu desculpas publicamente e tentou defender uma união interna, mas a crise seguiu aberta.

Saída atinge estrutura feminina do PL

A saída de Michelle do PL Mulher transforma o episódio em um problema maior para o partido. Até então, o conflito era tratado como uma divergência entre lideranças da família Bolsonaro. Com a mudança no comando do braço feminino da legenda, o desgaste passa a atingir uma estrutura formal do PL.

Valdemar Costa Neto já havia demonstrado preocupação com o impacto eleitoral da crise. Em entrevista, o dirigente afirmou que, se Michelle e Flávio não se entendessem, o partido poderia “sair perdendo em casa”. Ele também disse que o trabalho de Michelle no PL Mulher “não tem preço” para a sigla.

Michelle ganhou peso político dentro do partido

Michelle assumiu a presidência nacional do PL Mulher em 2023. Na época, o próprio partido anunciou que ela viajaria pelo Brasil para atrair filiadas e ampliar a participação feminina na política. Desde então, a ex-primeira-dama passou a ter agenda própria dentro da legenda e ganhou peso em articulações regionais.

O impacto imediato recai sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O senador tenta se consolidar como nome do bolsonarismo para a eleição presidencial de 2026, mas a crise com Michelle expôs uma disputa por espaço, influência e comando político dentro do próprio campo conservador.

Próximos passos de Michelle ainda são incertos

A movimentação também gera incerteza sobre os próximos passos da ex-primeira-dama. Michelle vinha sendo tratada como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas aliados passaram a relatar desânimo após os ataques recebidos durante a crise interna.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre quem assumirá definitivamente o comando do PL Mulher. O partido ainda terá de definir como reorganizar a ala feminina sem perder a base construída por Michelle nos últimos anos.

Para o PL, o desafio agora é conter o dano político antes que a crise contamine a montagem de palanques estaduais e a tentativa de unificação da direita em 2026. Para Michelle, a saída marca um recuo institucional, mas não necessariamente uma retirada da política.