Donald Trump levou a política brasileira para o centro da cúpula do G7 nesta quarta-feira (17), ao dizer que o Brasil está “perigoso politicamente” e citar a suposta prisão de um “Bolsonaro Jr.” que estaria bem nas pesquisas.
A fala do presidente dos Estados Unidos foi feita durante entrevista coletiva após o encontro de líderes em Évian-les-Bains, na França. Trump havia sido questionado sobre sua interação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula e afirmou que passou “bastante tempo” com o brasileiro, sem detalhar o conteúdo da conversa.
Na sequência, Trump passou a comentar o cenário político do Brasil.O republicano disse que o país se tornou “um pouco difícil” e “perigoso politicamente”, em meio a uma nova troca de declarações entre Washington e Brasília.
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Trump cita “Bolsonaro Jr.” e parece confundir filhos do ex-presidente
O ponto mais sensível da declaração foi a referência feita por Trump a um “Bolsonaro Jr.”. O presidente americano disse ter ouvido que alguém que estava disputando cargo no Brasil teria sido preso ou poderia ser preso, apesar de estar bem nas pesquisas.
A fala parece misturar dois personagens diferentes da família Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal na terça-feira (16), em caso relacionado à atuação dele nos Estados Unidos para buscar pressão internacional contra autoridades brasileiras. Ele não foi preso. Já Flávio Bolsonaro é senador, pré-candidato à Presidência e aparece como o principal nome do bolsonarismo contra Lula nas pesquisas, mas não foi condenado nem preso nesse caso.
A confusão aumentou o peso político da declaração, porque Trump citou ao mesmo tempo a condenação de Eduardo e o desempenho eleitoral associado a Flávio.
Lula responde: “não se meta nas eleições do Brasil”
Lula reagiu em entrevista após o G7 e disse que Trump tem direito a gostar da família Bolsonaro, mas não deve interferir na eleição brasileira.
“Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Isso não é problema meu. Agora, não se meta nas eleições do Brasil”, disse Lula, segundo a Associated Press.
O presidente brasileiro também afirmou que a fala demonstra desconhecimento de Trump sobre o país. Para Lula, se o presidente americano conhece o Brasil apenas por sua relação com a família Bolsonaro, “não conhece o Brasil”.
Relação Brasil-EUA vive nova fase de tensão
A troca de declarações ocorre em um momento delicado da relação entre os dois países. Nas últimas semanas, Trump se aproximou de Flávio e Eduardo Bolsonaro, recebeu o senador brasileiro na Casa Branca e discutiu temas como crime organizado, tarifas, minerais críticos e a situação de Jair Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, Lula tenta conter atritos comerciais com Washington. Em maio, o presidente brasileiro se reuniu com Trump na Casa Branca em uma tentativa de estabilizar a relação bilateral, pressionada pela política tarifária americana.
A tensão também cresceu após os Estados Unidos anunciarem medidas contra facções brasileiras e discutirem tarifas adicionais sobre produtos do Brasil. Lula tem tratado essas decisões como gestos de desrespeito à soberania brasileira.
Eleição brasileira vira tema internacional
A fala de Trump reforça como a eleição de 2026 no Brasil já entrou no radar da política externa americana. Flávio Bolsonaro tenta se consolidar como nome do campo bolsonarista, enquanto Lula deve disputar a reeleição.
O episódio também amplia a disputa narrativa em torno do Judiciário brasileiro. De um lado, Trump e aliados de Bolsonaro falam em perseguição política. De outro, Lula e integrantes do governo brasileiro afirmam que decisões judiciais no Brasil não devem ser tratadas como assunto eleitoral dos Estados Unidos.
Na prática, a frase de Lula resume o eixo da crise: Trump pode ter preferência política, mas Brasília quer deixar claro que a eleição brasileira será decidida por eleitores brasileiros, não por pressão externa.
Impacto para o Brasil
A fala de Trump pode reforçar a polarização em torno das eleições de 2026 e aumentar o desgaste diplomático entre Brasília e Washington. Para o governo Lula, o risco é transformar uma disputa interna em tema de pressão internacional. Para o bolsonarismo, a associação com Trump pode mobilizar apoiadores, mas também alimentar críticas sobre interferência externa.



