O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a um negócio de medicamentos à base de canabidiol no Ministério da Saúde, segundo apuração da Folha de S.Paulo.

A autorização atende a um pedido apresentado pela PF e abre caminho para uma apuração específica sobre a possível atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor de interesses empresariais dentro do governo federal. Uma das linhas deverá verificar se Lulinha ajudou empresas ligadas ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a obter acesso a integrantes do Ministério da Saúde. Em fevereiro, a CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha.

Antunes também aparece como investigado no caso dos descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. Apesar da presença de personagens em comum, a apuração sobre o negócio de canabidiol é um procedimento diferente da investigação relacionada às fraudes previdenciárias.

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Até a noite desta quinta-feira, 30 de julho, o novo inquérito ainda não havia sido formalmente aberto, segundo uma fonte da Polícia Federal. A decisão de Mendonça representa uma autorização para investigar e não significa que Lulinha tenha sido indiciado, denunciado ou considerado culpado.

Negócio não chegou a virar contrato

As suspeitas envolvem a World Cannabis, empresa associada a Antunes, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha que teria sido contratada para prospectar oportunidades no setor de cannabis medicinal.

Os investigadores querem saber se houve uso de influência política para facilitar reuniões, abrir portas no governo ou obter decisões favoráveis ao projeto empresarial. Também deverá ser analisado se pagamentos e contatos identificados durante a Operação Sem Desconto possuíam relação com essa atuação.

O Ministério da Saúde afirmou que nunca manteve contrato com a World Cannabis ou com os acionistas mencionados e que não realizou qualquer transferência de recursos públicos para eles. O negócio para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol não chegou a ser formalizado.

A inexistência do contrato não encerra a apuração. A PF deverá verificar se houve solicitação ou recebimento de vantagem, promessa de influência ou atuação para favorecer interesses privados perante agentes públicos.

Lula diz que não protegerá o filho

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que Lulinha deverá ser tratado como qualquer outro cidadão e que não receberá proteção especial da Presidência.

“Não vou usar meu cargo para protegê-lo”, disse o presidente, acrescentando que não interferirá no trabalho da Polícia Federal.

A defesa de Lulinha nega irregularidades em sua participação no setor de canabidiol. Os advogados também questionam a nova apuração e sustentam que as investigações estariam sendo prolongadas por interesse político.

Até a publicação, não havia acusação formal do Ministério Público nem indiciamento da Polícia Federal contra Lulinha nesse novo procedimento. A investigação deverá determinar se os contatos identificados representam atividade empresarial regular ou se houve tentativa criminosa de utilizar influência junto ao governo.