Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (30) que Jair Bolsonaro não sabia previamente que um vídeo produzido com inteligência artificial, simulando a imagem e a voz do ex-presidente, seria exibido na convenção do PL que oficializou a candidatura do filho à Presidência.

“É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA dele na nossa convenção”, declarou Flávio durante uma transmissão ao vivo publicada em seu canal oficial.

A peça sintética exibida no evento simulava Jair Bolsonaro discursando aos apoiadores e pedindo que o público recebesse Flávio como seu escolhido para substituí-lo na disputa presidencial.

Flávio também afirmou que sua equipe analisou a legislação antes da apresentação do vídeo e sustentou que não houve irregularidade. Segundo o candidato, o conteúdo deixou claro desde o início que a imagem e a voz haviam sido fabricadas por inteligência artificial.

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Vídeo usou imagem do ex-presidente sem conhecimento prévio, diz Flávio

A declaração reforça a versão apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. Os advogados disseram que o ex-presidente não autorizou especificamente a criação ou a exibição do material.

Com a nova manifestação, a campanha afirma que produziu e apresentou o vídeo sem o conhecimento prévio da pessoa cuja imagem, voz e apoio político foram reproduzidos artificialmente.

Apesar de negar que o pai soubesse da peça, Flávio defendeu o conteúdo e afirmou que a inteligência artificial está sendo amplamente utilizada nas redes sociais. O candidato classificou o recurso como “imparável” e disse que ninguém conseguirá controlar completamente o seu uso.

O que mostrava o vídeo

O vídeo, com aproximadamente 46 segundos, começava informando ao público que a figura exibida não era o ex-presidente, mas uma simulação criada com inteligência artificial.

Na sequência, o avatar dizia que Jair Bolsonaro estava “preso e calado” e apresentava Flávio como o nome escolhido para representar seu grupo político na eleição presidencial.

A exibição ocorreu durante a convenção nacional do PL realizada no sábado (25), em São Paulo. O evento confirmou oficialmente Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência da República.

Caso está no STF e no TSE

O episódio passou a ser analisado em duas frentes. No STF, a discussão envolve a possibilidade de o vídeo ter sido utilizado como uma forma indireta de divulgação de manifestação político-eleitoral atribuída a Jair Bolsonaro.

Na Justiça Eleitoral, o debate envolve as regras para o uso de conteúdo sintético, eventual propaganda antecipada e a proibição de deepfakes destinados a favorecer ou prejudicar candidaturas.

As normas do TSE determinam que peças produzidas ou significativamente alteradas por inteligência artificial tragam uma identificação explícita, destacada e acessível sobre a manipulação.

A identificação do conteúdo como sintético, no entanto, não encerra automaticamente a análise. A Justiça Eleitoral ainda deverá decidir se a forma, o conteúdo e a finalidade do vídeo respeitaram as demais restrições aplicáveis à propaganda eleitoral.