Lula pediu nesta quarta-feira (9) a abertura completa das investigações relacionadas ao Banco Master e colocou a forma como informações do caso estão vindo a público no centro da disputa eleitoral.

Em publicação no X, o presidente afirmou ser “urgente a quebra completa do sigilo” de todos os envolvidos e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”.

A cobrança não significa que Lula possa retirar esses sigilos. Nos procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, decisões sobre a publicidade dos autos dependem do próprio Judiciário. O efeito imediato da declaração é político: aumentar a pressão para que diferentes frentes do caso recebam tratamento semelhante.

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Post do Lula no X

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário.
Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido.
Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade.”


Por que Lula quer tudo aberto

O pedido ocorre depois de André Mendonça retirar o sigilo da PET 16.662, que tornou públicas informações obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro e colocou Alexandre de Moraes sob pressão.

Ao mesmo tempo, outros procedimentos relacionados ao Banco Master continuam fechados.

Entre eles estão investigações ligadas ao Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que recebeu recursos articulados junto a Vorcaro e envolve politicamente Flávio Bolsonaro.

Nesta semana, essa frente avançou: Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, confirmou no STF que aderiu voluntariamente a um acordo de colaboração com a PGR. Agora, André Mendonça precisa decidir se homologa o acordo.

É essa diferença de publicidade entre partes do caso que passou a alimentar a cobrança de Lula e de seus aliados.

A acusação de falta de isonomia faz parte da disputa política em torno da condução do caso.

A eleição entrou de vez na crise

A referência de Lula à eleição não é acidental.

As informações que vieram a público sobre Moraes deram força aos adversários do presidente, que passaram a usar o caso Master para questionar o ministro, a Polícia Federal e a relação do governo com o Supremo.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, também aparece em uma frente da investigação por sua participação na busca de recursos de Vorcaro para o Dark Horse.

Ao defender a abertura completa das investigações, Lula cobra que o mesmo critério de transparência seja aplicado a todas as frentes do caso, e não apenas às informações que já vieram a público sobre Moraes.

O pedido não é para esconder o que já foi revelado, mas para que investigações envolvendo outros personagens também possam ser conhecidas. A cobrança ganha peso justamente porque partes do caso permanecem sob sigilo enquanto outras já foram abertas.

O argumento apresentado por ele é que a publicidade deveria alcançar todos os envolvidos, “seja quem for”.

A cobrança também tem um risco para o próprio governo: uma abertura ampla pode revelar informações sobre aliados, integrantes do entorno de Lula ou outros personagens ainda protegidos pelo sigilo.

O que foi a Spoofing citada por Lula

Lula citou a Operação Spoofing como exemplo de divulgação de informações de interesse público.

A comparação precisa de uma explicação:

A Spoofing foi uma operação da Polícia Federal que investigou invasões de celulares de autoridades, entre elas Sergio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

Ricardo Lewandowski não comandou a operação. Como ministro do STF, ele posteriormente garantiu à defesa de Lula acesso a mensagens apreendidas pela PF e retirou o sigilo da reclamação em que parte desse material estava reunida.

As mensagens revelaram diálogos entre Moro e procuradores e passaram a ter peso nas discussões judiciais relacionadas à Lava Jato.

O que acontece agora

A manifestação de Lula não altera automaticamente nenhum processo.

André Mendonça continua responsável por procedimentos importantes relacionados ao Banco Master, enquanto Edson Fachin conduz outra frente aberta no STF para esclarecer a atuação de Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Os quatro têm prazo até sexta-feira (11) para prestar informações.

A disputa agora acontece em duas frentes ao mesmo tempo: dentro do Supremo, sobre a condução e a publicidade das investigações; e fora dele, na eleição, onde governo e oposição tentam definir quais revelações do caso Master terão maior peso político.