Se a data anunciada por Jim Caviezel tivesse sido mantida, “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, chegaria aos cinemas nesta sexta-feira (11). Não vai mais.
A Europa Filmes, responsável pela distribuição no Brasil, decidiu deixar o lançamento para depois das eleições de 2026. A empresa afirma que a mudança faz parte da estratégia comercial do filme e ainda não definiu uma nova data.
O adiamento acontece enquanto o financiamento da produção está no centro de diferentes investigações. Nesta quarta-feira (9), uma delas ganhou novo peso: André Mendonça homologou a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, empresário que afirma ter enviado cerca de R$ 61 milhões para um fundo nos Estados Unidos usado no financiamento de “Dark Horse”.
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Não há, porém, evidência pública de que as investigações tenham provocado o adiamento. Também não há informação de que Jim Caviezel seja investigado.
A estreia já mudou mais de uma vez
Caviezel, protagonista do filme, anunciou em abril que “Dark Horse” seria lançado em 11 de setembro de 2026.
Na publicação, ele chegou a associar o filme a eleições, incentivando seus seguidores a assistir à produção caso se importassem com o tema. O texto não especificava a qual disputa eleitoral se referia.
A publicação de Jim Caviezel dizia exatamente:
“Se você se importa com as nossas eleições, assista ao meu novo filme, que estreia em 11 de setembro de 2026.”
O calendário depois mudou.
Em junho, uma previsão de lançamento para 5 de novembro, já depois do segundo turno no Brasil, apareceu durante as negociações para distribuir a produção.
No fim de agosto, a Europa Filmes confirmou uma decisão mais ampla: o longa só será lançado depois das eleições e, por enquanto, não há uma nova data.
A mudança é politicamente relevante porque “Dark Horse” conta a trajetória de Jair Bolsonaro e chega ao Brasil em um ano em que Flávio Bolsonaro disputa a Presidência.
Quem é Jim Caviezel
Para boa parte do público brasileiro, o nome pode ser pouco conhecido.
Jim Caviezel é o ator americano que interpretou Jesus em “A Paixão de Cristo”, filme dirigido por Mel Gibson em 2004. Em “Dark Horse”, é ele quem interpreta Jair Bolsonaro.
Caviezel também protagonizou a série “Person of Interest” e, mais recentemente, “Som da Liberdade”, produção que ganhou grande repercussão entre públicos conservadores.
Seu nome, porém, acabou aparecendo também na história sobre o financiamento do filme.
Em uma das cobranças, Flávio citou Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh ao argumentar sobre o desgaste que um atraso nos pagamentos poderia causar.
Isso não significa que Caviezel tenha participado das negociações financeiras ou cometido alguma irregularidade.
Onde Vorcaro entra no filme
O ponto investigado é o caminho do dinheiro.
Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro recursos para financiar “Dark Horse”. Parte dos valores passou pelo Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que aparece como uma das estruturas usadas para financiar a produção.
A investigação ganhou uma peça nova nesta quarta.
Freixo afirmou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões, cerca de R$ 61 milhões, ao Havengate a pedido de Vorcaro. Segundo as informações divulgadas sobre a delação, ele também entregou dados sobre essas operações às autoridades.
Agora, o interesse dos investigadores é reconstruir de onde os recursos saíram, por quais empresas e fundos passaram e quem recebeu o dinheiro no fim do caminho.
Caviezel está sendo investigado?
Até aqui, não há informação pública de que Jim Caviezel seja investigado ou tratado como suspeito no caso.
A diferença é importante.
Uma investigação financeira pode examinar pagamentos feitos a atores, diretores, produtoras e fornecedores para descobrir onde o dinheiro terminou sem que essas pessoas sejam acusadas de crime.
No caso de Caviezel, seu nome aparece publicamente porque ele é o protagonista do filme e porque Flávio o mencionou ao cobrar de Vorcaro que compromissos financeiros fossem cumpridos.
O foco conhecido das apurações está nas estruturas que financiaram a produção e em possíveis beneficiários irregulares dos recursos.
Há outras investigações em torno de Dark Horse
O caso não se limita ao dinheiro de Vorcaro.
Outra frente investiga possíveis desvios de recursos públicos relacionados a entidades ligadas à produção do filme. A Polícia Federal recebeu material de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e pessoas ligadas à Go Up Entertainment, produtora responsável pelas filmagens no país.
Isso também não significa, por si só, que dinheiro público tenha financiado “Dark Horse”. É justamente uma das questões que as investigações procuram esclarecer.
Filme avançou na Ancine, mas ainda não tem estreia
Apesar das investigações e da mudança de calendário, o processo para permitir a exibição comercial do filme no Brasil continua.
Em agosto, “Dark Horse” obteve o Registro de Obra Estrangeira na Ancine. O longa foi registrado como ficção, tem cerca de 1h40 e deverá usar no Brasil o título “O Azarão”.
Esse registro é apenas uma das etapas. A produção ainda precisa cumprir outros procedimentos antes da exibição comercial.
O contraste resume o momento do projeto: administrativamente, o filme continua avançando para chegar aos cinemas; politicamente e judicialmente, o caminho percorrido pelo dinheiro que o financiou continua sendo reconstruído.
E a estreia que Jim Caviezel anunciou para esta sexta agora ficou sem data.



