A delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, avançou no Supremo Tribunal Federal. O empresário passou na terça-feira (8) por uma audiência de cerca de três horas com um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça e confirmou que aderiu voluntariamente ao acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República. Agora, cabe ao ministro decidir se homologa ou não a colaboração.

A audiência aconteceu das 14h às 17h e teve uma função específica: verificar se Freixo compreende o acordo e se decidiu colaborar sem sofrer pressão. Mendonça não participou diretamente da conversa; recebe posteriormente a análise de sua equipe.

Homologar não significa dizer que a delação é verdadeira

Esse é o ponto central para entender o que acontece agora.

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Antes de homologar uma colaboração premiada, a lei exige que o juiz analise a legalidade do acordo, os benefícios negociados e a voluntariedade do colaborador. Se os requisitos não forem cumpridos, o acordo pode ser recusado e devolvido para ajustes.

Mas a homologação não significa que Mendonça estará declarando verdadeiras as informações apresentadas por Freixo.

Ela permite que o acordo passe a produzir efeitos jurídicos. O que o delator contou ainda precisa ser confrontado com documentos, movimentações financeiras e outras provas. A própria lei impede medidas cautelares, recebimento de denúncia ou condenação baseadas apenas nas declarações de um colaborador.

Por que Freixo é importante para o Dark Horse

Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações e aparece na investigação como intermediário no caminho de recursos de Daniel Vorcaro para estruturas ligadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo apuração da CNN Brasil, ele afirmou à PGR ter realizado em 2025 transferências que somam mais de R$ 60 milhões para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo administrava recursos destinados ao projeto e os encaminhava à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. O conteúdo completo da colaboração continua sob sigilo.

Mendonça passa a controlar o próximo passo

É aqui que a história ganha peso político.

Mendonça já é o relator das frentes do STF relacionadas ao Dark Horse. O filme retrata Jair Bolsonaro, responsável pela indicação do ministro ao Supremo, e seu financiamento foi negociado por Flávio. Essa relação não prova favorecimento nem cria automaticamente impedimento, mas torna as próximas decisões do ministro politicamente sensíveis.

O Trendahora mostrou anteriormente que procedimentos ligados ao Dark Horse permanecem sob sigilo enquanto Mendonça retirou o sigilo do processo que revelou informações envolvendo Alexandre de Moraes. Agora, além da discussão sobre publicidade, o ministro terá de decidir se valida juridicamente a primeira colaboração premiada diretamente ligada ao financiamento do filme.

Há ainda outra disputa institucional no pano de fundo. O acordo de Freixo foi negociado diretamente com a PGR, sem participação da Polícia Federal, segundo CNN Brasil e SBT News. Na prática, PGR e STF conduzem a análise da colaboração enquanto a PF mantém investigações próprias sobre o caminho do dinheiro.

Para Freixo, o acordo pode resultar nos benefícios previstos na colaboração caso as informações sejam úteis e confirmadas. Para os investigadores, o interesse é saber se o empresário consegue apresentar provas que reconstruam o destino dos recursos. E, para os personagens políticos citados na investigação, o ponto decisivo será justamente o que poderá ou não ser comprovado a partir desse material.

Até a publicação, Mendonça ainda não havia divulgado decisão sobre a homologação. Também não há prazo definido. Se o acordo for aprovado, a investigação entra numa nova etapa: o foco deixa de ser apenas o que Freixo contou e passa a ser o que ele consegue provar.