O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 10 de agosto, que passou a exigir indenização do Irã e orientou seus representantes a colocar a cobrança em futuras negociações com Teerã. A resposta veio depois de autoridades iranianas incluírem reparações pelos danos da guerra entre as condições apresentadas em meio ao impasse sobre o Estreito de Ormuz.
A posição iraniana vai além da compensação financeira. Teerã já vinha condicionando a normalização do tráfego pelo estreito ao fim das hostilidades e à retirada do que classifica como bloqueio naval americano e das sanções. Em comunicado oficial anterior, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que o tráfego marítimo normal dependeria do encerramento permanente das hostilidades e da suspensão do bloqueio e das sanções contra o país.
Nos últimos dias, o governo iraniano também passou a defender reparações pelos danos causados durante o conflito, retirada de forças americanas próximas ao país e liberação de ativos iranianos congelados ou apreendidos.
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Trump responde com cobrança própria
Trump reagiu dizendo que, se o Irã pretende cobrar pelos prejuízos sofridos durante a guerra, os Estados Unidos também buscarão compensação por mortes e feridos que o presidente atribui a ações iranianas ou de grupos apoiados por Teerã.
O presidente afirmou ainda ter instruído seus representantes a incluir essa cobrança em qualquer negociação futura. Trump também defendeu compensações às famílias de iranianos mortos durante protestos contra o governo do país.
Entre os casos mencionados pelo presidente estão as famílias dos 17 militares americanos mortos no atentado contra o destróier USS Cole, no Iêmen, em outubro de 2000.
Esse ponto, porém, entra em conflito com o registro oficial da própria investigação americana. O FBI afirma que sua investigação concluiu que integrantes da al-Qaeda planejaram e executaram o atentado contra o USS Cole.
Irã e Omã ainda negociam rota por Ormuz
Paralelamente ao impasse entre Washington e Teerã, Irã e Omã continuam negociando um mecanismo para permitir uma navegação comercial considerada segura pelo Estreito de Ormuz.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano informou em 5 de agosto que os dois países já haviam chegado a um entendimento sobre os parâmetros geográficos de uma rota proposta e trabalhavam na redação de uma declaração conjunta. Teerã ressaltou, porém, que um acordo bilateral sobre a rota não significaria, por si só, que o estreito voltou a ser considerado seguro.
As conversas são uma continuação das rodadas técnicas realizadas entre os dois países. Em julho, o Ministério iraniano afirmou que representantes de Irã e Omã discutiram princípios e mecanismos operacionais para garantir a passagem segura de embarcações comerciais, respeitando os direitos dos dois países costeiros.
Por que Ormuz continua importante para o Brasil
O Estreito de Ormuz permanece como um dos pontos mais sensíveis do mercado mundial de energia. Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos mostram que, no primeiro semestre de 2025, cerca de 20,9 milhões de barris de petróleo por dia passaram pela rota; volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos de petróleo.
Isso significa que uma interrupção prolongada ou uma nova escalada militar na região pode aumentar a pressão sobre as referências internacionais do petróleo. Para o Brasil, esse efeito não representa automaticamente aumento na bomba, mas pode alcançar a cadeia de combustíveis por meio do mercado internacional e de outros componentes de preços.
A Petrobras afirma que sua estratégia comercial considera referências dos mercados em que atua, sem manter uma vinculação obrigatória à paridade de importação. A companhia também ressalta que o preço pago pelo consumidor inclui outros componentes além do valor praticado pela Petrobras, como tributos e margens de distribuição e revenda.
A nova cobrança feita por Trump acrescenta, portanto, outro ponto de disputa a um processo que já envolve segurança marítima, sanções, presença militar americana e as condições iranianas para a normalização do Estreito de Ormuz.



