Uma proposta negociada entre Irã e Omã para reorganizar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz pode ampliar significativamente a autoridade iraniana sobre o tráfego marítimo que entra no Golfo. Os dois países já chegaram a um entendimento sobre as coordenadas de uma nova rota, mas pontos centrais do acordo continuam sem definição.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta quarta-feira (5) que as conversas com Omã avançaram e que um comunicado conjunto está em fase final de elaboração. Segundo ele, os dois países concordaram sobre os parâmetros geográficos da rota destinada à circulação comercial.

Baghaei ressaltou, porém, que o entendimento bilateral não representa automaticamente a reabertura completa do estreito. Na versão iraniana, a segurança da navegação também depende do encerramento do bloqueio americano contra portos do país e da redução das ameaças militares na região.

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Proposta muda circulação de navios

O novo modelo prevê que uma parte relevante dos trajetos de entrada e saída passe pelas águas territoriais do Irã. O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o desenho negociado substitui a configuração utilizada durante décadas, na qual os principais corredores de navegação ficavam em águas controladas por Omã.

De acordo com Gharibabadi, as negociações também abrangem a criação de um centro conjunto de coordenação entre Irã e Omã e o compartilhamento prévio de informações sobre as embarcações interessadas em atravessar o estreito.

Uma proposta analisada pelos negociadores daria ao Irã autoridade sobre os navios que entram no Golfo. Ainda não existe consenso, entretanto, sobre o controle das embarcações que fazem o caminho contrário, sobre quem poderá realizar inspeções ou sobre eventuais cobranças pela passagem.

Trump diz que acordo está próximo

Donald Trump afirmou que houve uma negociação prolongada relacionada ao Irã e disse que um acordo para reabrir Ormuz poderia ser anunciado em breve. Em outra declaração, o presidente americano afirmou preferir uma solução diplomática, mas voltou a ameaçar uma ofensiva caso Teerã rejeite as condições apresentadas.

O governo iraniano apresenta uma versão diferente. Baghaei declarou que as negociações sobre a rota são bilaterais, entre Irã e Omã, e que não houve conversas diretas recentes com os Estados Unidos. Gharibabadi afirmou que Teerã recebeu mensagens americanas por intermediários, mas que ainda não decidiu retomar uma fase formal de negociação com Washington.

Apesar do otimismo demonstrado por Trump, autoridades regionais afirmam que questões relevantes continuam abertas. Também não houve, até a publicação, uma confirmação oficial americana de que Washington aceitaria um modelo que ampliasse o controle iraniano sobre o acesso ao Golfo.

O que está em disputa em Ormuz

O entendimento vai além da criação de uma nova faixa para a passagem de navios. A negociação define quem poderá receber informações sobre as embarcações, supervisionar a circulação, realizar inspeções e eventualmente cobrar por serviços relacionados à segurança marítima.

Caso o modelo seja concluído nos termos apresentados pelo Irã, Teerã passará a exercer influência formal maior sobre uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Antes da guerra, a navegação internacional utilizava o estreito sem cobranças dessa natureza.