O governo do Irã negou nesta segunda-feira (3) que esteja negociando com os Estados Unidos ou que tenha uma reunião marcada com representantes americanos, contrariando um anúncio feito pelo presidente Donald Trump no dia anterior.

A bordo do Air Force One, Trump afirmou no domingo (2) que Washington estava conversando com Teerã “na forma de uma negociação” e que o processo começaria na tarde desta segunda-feira. O presidente americano não informou onde o encontro ocorreria nem quem participaria.

Questionado sobre um prazo para a conclusão de um acordo, Trump não estabeleceu uma data. Ele disse que preferia negociar a ordenar novos ataques e provocar mais mortes.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que não havia negociações em andamento com os Estados Unidos nem reuniões previstas. Segundo ele, o país não planejava receber delegações estrangeiras ou enviar negociadores ao exterior nos próximos dias.

Irã reconhece apenas conversas com Omã

Baghaei disse que as únicas conversas em curso envolvem Omã e tratam da gestão e da navegação pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás.

O governo iraniano havia confirmado anteriormente que representantes dos dois países discutiram mecanismos para permitir a passagem segura de embarcações pelo estreito, respeitando o que Teerã classifica como direitos soberanos dos países que controlam suas margens.

Segundo o comunicado iraniano, as discussões técnicas e políticas com Omã continuaram, mas não provocaram mudança imediata na situação do tráfego marítimo em Ormuz.

Na prática, existem dois canais diferentes. O primeiro é a negociação política entre Estados Unidos e Irã anunciada por Trump e negada por Teerã. O segundo são as conversas técnicas entre Irã e Omã, reconhecidas oficialmente pelos dois lados e concentradas na circulação de navios.

Trump volta a acusar liderança iraniana

Após a negativa iraniana, Trump afirmou nas redes sociais que a liderança do país agia com duplicidade. O presidente americano disse que Teerã havia solicitado um encontro e que novas conversas ocorreriam em um futuro próximo.

Trump também reiterou que os Estados Unidos manteriam pressão militar e naval sobre o Irã até que fosse alcançado um acordo. Não houve confirmação iraniana de que o governo tenha solicitado a reunião mencionada pelo presidente americano.

Petróleo cai, mas incerteza permanece

Os preços internacionais do petróleo caíram cerca de 5% nesta segunda-feira depois que Trump suspendeu novos ataques e indicou que buscaria uma saída negociada. O barril do Brent era negociado próximo de US$ 83,52 durante o dia.

O movimento mostrou que o mercado interpretou a suspensão dos ataques como um sinal de possível redução das tensões. A negativa iraniana, porém, manteve as dúvidas sobre a existência de uma negociação capaz de produzir um acordo.

A situação em Ormuz tem impacto potencial sobre o Brasil porque mudanças no preço internacional do petróleo podem pressionar ou aliviar custos de combustíveis, transporte, dólar e inflação. Esses efeitos não são automáticos e dependem da duração da crise e do comportamento dos mercados internacionais.