Comando Central americano confirmou ataques contra múltiplos alvos; Irã ameaça embarcações no Estreito de Ormuz, mas EUA negam que navios de guerra tenham sido atingidos

Os Estados Unidos iniciaram uma nova rodada de ataques contra múltiplos alvos no Irã, segundo o Comando Central americano. A ação ocorreu após Donald Trump afirmar que Washington atacaria Teerã “muito forte” caso não houvesse avanço em um acordo para encerrar a guerra.

A crise também voltou a pressionar o Estreito de Ormuz. O comando militar iraniano ameaçou disparar contra embarcações que tentassem passar pela rota estratégica, mas os EUA disseram que nenhum navio de guerra americano foi atingido e que navios comerciais continuavam transitando pela região.

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Escalada ocorreu após ataques americanos contra alvos iranianos e resposta de Teerã contra Bahrein, Kuwait e Jordânia; crise pressiona cessar-fogo e mantém petróleo sob tensão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou ampliar os ataques contra o Irã nesta quarta-feira (10), em uma nova escalada militar que colocou sob pressão o cessar-fogo no Oriente Médio e elevou o risco de uma crise mais ampla perto do Estreito de Ormuz.

Segundo a Associated Press, os EUA lançaram ataques aéreos contra alvos iranianos, e Trump afirmou que novas ações estavam a caminho. A declaração ocorreu depois de Teerã reivindicar ataques contra Bahrein, Kuwait e Jordânia, países que abrigam tropas americanas na região.

A escalada ocorre um dia após a queda de um helicóptero de ataque do Exército americano perto do Estreito de Ormuz. De acordo com uma autoridade dos EUA citada pela AP, a aeronave colidiu com um drone iraniano, mas ainda não está claro se o choque foi intencional. Os dois tripulantes foram resgatados e não ficaram feridos, segundo Trump.

O novo episódio desloca a crise de uma disputa concentrada entre EUA, Irã e Israel para um tabuleiro mais amplo, envolvendo bases americanas no Golfo, rotas marítimas de petróleo e a tentativa de preservar um cessar-fogo que já havia sido testado por ataques entre Irã e Israel no início da semana.

Trump havia endurecido o tom contra Teerã mais cedo

Na Casa Branca, Trump disse que os EUA voltariam a atingir o Irã com força. Pouco antes, segundo a Al Jazeera, o presidente americano havia dito à Fox News que “pode continuar” com os ataques, em uma fala que reforçou a percepção de que Washington não vê a rodada atual como encerrada.

Trump também acusou Teerã de prolongar as negociações para encerrar a guerra. Em publicação na Truth Social, afirmou que o Irã demorou demais para aceitar um acordo e agora teria que “pagar o preço”.

Apesar da retórica, o presidente não confirmou se pretende cumprir ameaças feitas anteriormente de atingir pontes e instalações de energia no Irã. A AP informou que Trump evitou responder diretamente se seguirá por esse caminho e voltou a defender que o Irã assine um acordo para pôr fim ao conflito.

Irã reage e mira países com presença militar dos EUA

Teerã reivindicou ataques contra Kuwait, Bahrein e Jordânia. A Jordânia afirmou ter abatido cinco mísseis que, segundo o Irã, tinham como alvo uma base aérea usada por aeronaves militares americanas. A agência estatal jordaniana Petra informou que não houve feridos.

Bahrein e Kuwait também disseram ter interceptado disparos, sem detalhar os alvos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, condenou os ataques americanos e os classificou como violação da soberania iraniana.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que, após os novos ataques, Teerã revisaria sua posição nas negociações para encerrar a guerra. Mesmo assim, esforços diplomáticos continuaram: uma delegação do Catar chegou a Teerã para conversas após consultas com os Estados Unidos, segundo a AP.

Petroleiro atingido amplia risco marítimo

A crise também ganhou uma dimensão marítima. O Exército americano afirmou que uma aeronave dos EUA disparou munições de precisão contra a praça de máquinas do M/T Settebello, navio de bandeira de Palau que, segundo Washington, tentava transportar petróleo iraniano em violação ao bloqueio naval contra portos do Irã.

A Índia informou que três tripulantes indianos estavam desaparecidos depois que o navio foi atingido, enquanto outros 21 foram resgatados. O comunicado indiano, segundo a AP, não mencionou os EUA nem o bloqueio naval.

O ataque ao petroleiro reforça o ponto mais sensível da crise: o Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o fluxo global de petróleo e gás natural, e o Irã tenta usar sua capacidade de pressionar essa rota como instrumento de negociação.

Petróleo sobe e aumenta alerta econômico

A AP informou que o petróleo Brent era negociado acima de US$ 92 por barril nesta quarta-feira, alta de mais de 25% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A escalada já vinha pressionando preços de energia e itens básicos em várias regiões do mundo.

Para o Brasil, o impacto mais provável não vem de uma dependência direta do petróleo iraniano, mas do efeito global no preço do barril, no dólar, nos fretes internacionais e nas expectativas de inflação. Quanto maior o risco em Ormuz, maior a pressão sobre combustíveis e cadeias de transporte.

Essa é a razão pela qual a crise deixou de ser apenas uma pauta militar. Ela também passou a ser uma pauta econômica, com potencial de afetar bancos centrais, mercados emergentes, custos logísticos e decisões de política energética.

Hezbollah e Israel dificultam acordo

A tentativa de acordo enfrenta outro obstáculo: o papel de Israel e do Hezbollah. Segundo a AP, embora EUA e Irã ainda pareçam buscar uma forma de encerrar o conflito, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu persegue objetivos mais amplos, incluindo a destruição do Hezbollah no Líbano e a eliminação do programa nuclear iraniano.

Esse ponto complica qualquer compromisso rápido. Para Teerã, um acordo que ignore a frente libanesa pode ser insuficiente. Para Israel, encerrar a crise sem reduzir a capacidade do Hezbollah e sem impor limites maiores ao Irã pode ser visto como recuo estratégico.

O resultado é um cessar-fogo cada vez mais frágil. A troca de ataques desta quarta-feira não encerra a diplomacia, mas mostra que ela está sendo conduzida sob pressão militar constante.

Por que isso importa

A nova escalada mostra que o conflito entrou em uma fase mais perigosa: os ataques não envolvem apenas alvos dentro do Irã, mas também países que abrigam forças americanas e navios associados ao transporte de petróleo.

Para Washington, a pressão militar é apresentada como forma de forçar um acordo. Para Teerã, a resposta regional é uma maneira de mostrar que ainda tem capacidade de elevar o custo da guerra. Para Israel, a crise segue conectada ao Hezbollah e ao programa nuclear iraniano.

Para o Brasil, o risco está no efeito indireto: petróleo mais caro, rotas marítimas pressionadas, dólar mais instável e maior incerteza sobre inflação. Se Ormuz voltar ao centro da crise, o impacto pode chegar mais rápido ao mercado do que à diplomacia.