Donald Trump rejeitou a resposta do Irã à proposta americana para tentar encerrar a guerra e afirmou que o cessar-fogo entre os dois países está “por aparelhos”.

A fala aumenta a incerteza sobre a continuidade da trégua e mantém o Estreito de Ormuz no centro da crise energética global.

O presidente dos Estados Unidos disse que a resposta enviada por Teerã mostra que os dois lados continuam distantes em pontos considerados essenciais por Washington. Trump classificou a proposta iraniana como fraca e afirmou que nem terminou de ler o documento.

O Irã pediu o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, compensação por danos causados pelo conflito, fim do bloqueio naval americano, garantia de que não haverá novos ataques e retomada das vendas de petróleo iraniano.

Teerã também reafirmou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica que normalmente concentra cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Ormuz segue como ponto central da crise

O impasse diplomático mantém Ormuz como o principal ponto de pressão da guerra. A Reuters informou que o Brent subiu 3%, para mais de US$ 104 por barril, enquanto o estreito permanece em grande parte fechado.

Dados da Kpler e da LSEG citados pela agência mostram que apenas três petroleiros carregados com petróleo deixaram a rota na semana anterior. As embarcações navegaram com rastreadores desligados para reduzir o risco de ataque iraniano.

O cenário reforça a importância do estreito na crise atual. Antes da guerra, Ormuz era uma das principais passagens marítimas para petróleo e gás no mundo. Com a rota restrita, produtores reduzem exportações, mercados reagem com alta nos preços e governos tentam conter os efeitos econômicos do conflito.

Estados Unidos ampliam pressão sobre Teerã

Além da rejeição à resposta iraniana, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra pessoas e empresas acusadas de ajudar o Irã a enviar petróleo para a China. Washington afirma que a medida busca reduzir o financiamento dos programas militar e nuclear de Teerã.

A disputa, porém, não se resume ao campo militar. O governo americano tenta manter a pressão econômica enquanto busca apoio externo para destravar a negociação. A AP informou que Trump deve usar a viagem à China para pedir que Xi Jinping pressione o Irã a fazer concessões.

Pequim é uma das principais compradoras de petróleo iraniano sancionado, o que dá à China peso na equação diplomática. Mesmo assim, um acordo segue difícil. O Irã exige o fim do bloqueio americano e o alívio de sanções antes de avançar em conversas mais amplas sobre seu programa nuclear.

A proposta iraniana e o impasse nuclear

O ponto nuclear continua sendo uma das maiores travas da negociação. Trump cobra uma redução significativa das atividades nucleares iranianas. Já o Irã afirma que tem direito ao enriquecimento de urânio e diz que seu programa tem fins pacíficos.

Segundo a AP, autoridades regionais afirmaram que Teerã ofereceu diluir parte do urânio altamente enriquecido e enviar outra parte a um terceiro país. A Rússia já havia se oferecido para receber esse material. Ainda assim, a proposta não foi suficiente para convencer Washington.

A divergência mostra que a crise passou a reunir três frentes ao mesmo tempo: a disputa nuclear, o controle de Ormuz e o custo econômico da guerra.

Uma trégua cada vez mais frágil

A fala de Trump não encerra formalmente o cessar-fogo, mas indica que a trégua entrou em seu momento mais delicado desde o início das negociações. A pressão sobre Ormuz, a alta do petróleo e a dificuldade de alinhar concessões nucleares mantêm o risco de nova escalada.

A próxima etapa deve depender de três fatores: a resposta de Teerã à rejeição americana, a tentativa de mediação internacional e o papel que a China aceitará desempenhar nas conversas.

Enquanto isso, Ormuz segue como o termômetro mais visível da crise. Se o estreito continuar pressionado, o impacto da guerra tende a ultrapassar o Oriente Médio e chegar diretamente aos mercados de energia, ao câmbio e ao debate econômico global.