Seis paramédicos libaneses foram mortos em dois ataques israelenses no sul do Líbano em um intervalo de 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do país

Os casos foram registrados nas localidades de Hanaway e Deir Qanoun En-Nahr, em meio à continuidade da violência entre Israel e Hezbollah apesar de uma trégua mediada pelos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, quatro paramédicos da Islamic Health Association morreram em um ataque israelense durante a noite de quinta para sexta-feira em Hanaway. Na manhã desta sexta-feira, 22, outros dois socorristas da Al-Rissala Scouts Association morreram em Deir Qanoun En-Nahr, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.

Israel afirmou que mirou infraestrutura do Hezbollah em Hanaway e dois integrantes do grupo em motocicletas em Deir Qanoun En-Nahr. O Exército israelense disse que examina relatos de que pessoas não envolvidas, que não eram alvo dos ataques, foram atingidas.

Mortes ampliam pressão sobre a trégua

A morte dos paramédicos amplia a pressão sobre a trégua entre Israel e Hezbollah, que segue marcada por ataques quase diários no sul do Líbano. O episódio também coloca no centro da crise a segurança de equipes médicas e de resgate que atuam em áreas atingidas por bombardeios.

O Ministério da Saúde libanês classificou os ataques como violações do direito internacional. O direito internacional humanitário protege socorristas, profissionais de saúde e infraestrutura civil, incluindo centros de atendimento médico.

O caso de Deir Qanoun En-Nahr ganhou peso adicional porque o Ministério da Saúde libanês divulgou um vídeo que, segundo a pasta, mostra homens com coletes amarelos atendendo uma pessoa à beira de uma estrada. Quando uma ambulância se aproxima, há um clarão e uma explosão. A Reuters informou que conseguiu confirmar a localização do vídeo pela comparação com imagens de arquivo da região.

Israel diz que mirou Hezbollah

O Exército israelense afirmou que seus ataques tiveram como alvo estruturas e integrantes do Hezbollah. Em Hanaway, Israel disse ter atingido locais de infraestrutura do grupo onde militantes estavam presentes.

Em Deir Qanoun En-Nahr, os militares israelenses disseram ter identificado e atacado dois integrantes do Hezbollah que circulavam de motocicleta na região. Israel afirmou ainda que tomou medidas para reduzir danos a civis, incluindo ordens de evacuação e uso de vigilância aérea.

A versão israelense não elimina a disputa central da cobertura: autoridades libanesas dizem que paramédicos foram mortos, enquanto Israel sustenta que os alvos eram ligados ao Hezbollah e afirma investigar os relatos de pessoas não envolvidas atingidas.

Dez mortos no total em uma das áreas

No ataque em Deir Qanoun En-Nahr, seis pessoas morreram no total, incluindo dois paramédicos e uma criança síria, segundo o Ministério da Saúde libanês. A Associated Press também informou que os ataques no sul do Líbano deixaram 10 mortos, incluindo seis paramédicos e uma criança.

A localidade já havia sido atingida nesta semana por outro ataque israelense que matou 14 pessoas, segundo a Reuters, no episódio mais letal desde o anúncio de uma trégua frágil no mês passado.

Mais de 3.100 mortos no Líbano

Desde 2 de março, mais de 3.100 pessoas foram mortas no Líbano, segundo estatísticas do Ministério da Saúde libanês. Entre os mortos estão 123 profissionais de saúde, além de mais de 210 crianças e quase 300 mulheres.

A Organização Mundial da Saúde também registrou danos a hospitais no sul do Líbano. Segundo a Reuters, um ataque israelense próximo ao hospital de Tebnine danificou os três andares do prédio, incluindo pronto-socorro, unidade de terapia intensiva, centro cirúrgico e ambulâncias estacionadas do lado de fora.

Esses episódios reforçam uma dimensão sensível da guerra: mesmo quando os alvos declarados são militares, o impacto sobre equipes médicas, hospitais e civis aumenta o custo político e humanitário da operação.

Por que isso importa

A morte de paramédicos no sul do Líbano transforma a crise entre Israel e Hezbollah em um novo teste para a trégua mediada pelos Estados Unidos. O ponto central não é apenas a continuidade dos ataques, mas o risco crescente para socorristas em uma guerra que já atingiu hospitais, ambulâncias e centros de atendimento.

Para o Oriente Médio, o episódio mantém aberta uma frente paralela à disputa envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O Hezbollah é apoiado por Teerã, e a escalada no Líbano aumenta a pressão regional em um momento em que Washington tenta conduzir negociações mais amplas no conflito.

Para o Brasil, o impacto é indireto. A instabilidade no Líbano não altera, por si só, a política externa brasileira ou o mercado de energia de forma imediata, mas se conecta ao quadro mais amplo de tensão no Oriente Médio, acompanhado pelo Trendahora no Radar sobre Ormuz, Irã, Israel e seus efeitos internacionais.