A Espanha mobilizou unidades do Exército para Ceuta nesta quinta-feira, 30 de julho, depois que milhares de imigrantes atravessaram a fronteira com Marrocos e superaram a capacidade inicial da Guarda Civil.

As imagens mostram grupos entrando a nado, usando boias e outros objetos para flutuar, enquanto outras pessoas passaram pelo espigão do Tarajal ou romperam um dos portões da cerca fronteiriça. Ainda não existe um balanço oficial consolidado sobre quantas conseguiram entrar.

A televisão pública espanhola chegou a informar uma estimativa entre 2 mil e 3 mil entradas durante o dia. Autoridades espanholas evitaram divulgar um total definitivo diante do fluxo ainda em andamento.

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Exército reforça operação em Ceuta

O governo informou que as Forças Armadas atuarão em apoio à Guarda Civil e sob coordenação do comando de operações. Três pelotões de 20 militares foram incluídos na mobilização, além de mergulhadores, reforços policiais e uma embarcação militar prevista para chegar à região.

A operação também prevê que o contingente das unidades especiais da polícia chegue a 200 agentes. A TVE informou no início da noite que o Exército já começava a ocupar posições na cidade.

O deslocamento militar foi anunciado horas depois de o governo de Ceuta pedir o fechamento da fronteira, a declaração de emergência nacional e a adoção de um comando único para administrar a crise. Madri rejeitou formalmente a emergência nacional, mas decidiu ampliar o aparato de segurança.

Mortes durante a travessia

Ao menos nove pessoas morreram ao tentar chegar a Ceuta a nado nesta quinta-feira, segundo o balanço mais recente divulgado pela imprensa espanhola.

Mais de mil pessoas também aguardavam do lado de fora do Centro de Estadia Temporária de Imigrantes de Ceuta. A unidade possui capacidade para 512 pessoas, mas já abrigava cerca de 800, segundo a televisão pública espanhola.

Por que Ceuta pertence à Espanha

Ceuta é uma cidade autônoma espanhola localizada no norte da África e cercada por território marroquino. Junto com Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia no continente africano.

A posição geográfica transforma a cidade em uma das principais rotas de entrada de pessoas que tentam chegar ao território europeu. Em 2021, cerca de 10 mil pessoas cruzaram de Marrocos para Ceuta em poucos dias, em uma crise que também provocou o envio de militares.

Decisão judicial entrou no centro da crise

A nova entrada em massa ocorre três semanas depois de o Tribunal Supremo espanhol decidir que imigrantes interceptados no mar enquanto tentam chegar a nado a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos imediatamente pelo regime especial de rejeição na fronteira.

A decisão não impede todos os procedimentos de retorno. Ela determina que pessoas interceptadas no mar precisam passar pelas regras migratórias comuns, com análise individual e acesso às garantias previstas em lei.

O Ministério do Interior espanhol afirmou que redes de tráfico de pessoas estariam usando a decisão judicial para incentivar novas travessias. Espanha e Marrocos anunciaram reforço na coordenação e disseram que pretendem acelerar os procedimentos envolvendo quem entrou irregularmente e não tiver direito de permanecer no país.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, deve viajar a Ceuta nesta sexta-feira acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. A agenda prevê uma visita à fronteira do Tarajal e uma reunião com autoridades locais e responsáveis pela operação de segurança e acolhimento.