O Irã lançou uma nova ofensiva de mísseis contra a Jordânia na madrugada desta quarta-feira, 9 de setembro. As Forças Armadas jordanianas afirmam que suas defesas enfrentaram 20 mísseis balísticos, interceptaram 18 e que os outros dois caíram em áreas desabitadas. Não houve registro de vítimas.

A Guarda Revolucionária do Irã diz que o alvo era a base de Al-Azraq, na região onde fica a Muwaffaq Salti Air Base. A instalação é jordaniana, mas também é utilizada por forças americanas, ponto essencial para entender por que a Jordânia está sendo atingida nessa disputa. A própria Força Aérea dos EUA mantém estrutura oficial dedicada à base, e militares americanos operam no local.

Por que a Jordânia virou alvo

A disputa principal não é entre Irã e Jordânia. O país está na linha de fogo porque abriga forças e instalações estratégicas dos Estados Unidos.

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Para o Irã, atingir essas bases é uma forma de aumentar o custo militar da presença americana na região sem precisar limitar sua resposta a alvos dentro dos Estados Unidos. No comunicado sobre o ataque, a Guarda Revolucionária voltou a pressionar pela retirada das forças americanas da Jordânia.

O volume desta ofensiva também chama atenção. Em 31 de agosto, a Jordânia anunciou ter interceptado oito mísseis. Em 2 de setembro, informou que 13 mísseis balísticos iranianos entraram em seu espaço aéreo, dos quais dez foram destruídos. Agora foram 20.

A disputa agora passa pelo petróleo

O ataque ocorreu depois que os Estados Unidos anunciaram a destruição de cinco petroleiros iranianos em 8 de setembro. Segundo o CENTCOM, a operação foi uma resposta a duas tentativas da Guarda Revolucionária de atingir um navio de guerra americano com mísseis balísticos nos dois dias anteriores.

Washington está usando a frota de petróleo como ponto de pressão sobre Teerã. O CENTCOM afirma que esses navios fazem parte de uma rede usada para financiar a Guarda Revolucionária e grupos aliados. Três outros petroleiros iranianos já haviam sido destruídos pelos EUA em 5 de setembro. Foram, portanto, oito em quatro dias, segundo os próprios militares americanos.

A lógica dessa nova fase da guerra fica mais clara: os EUA tentam transformar ataques iranianos contra suas forças em prejuízo econômico; o Irã responde tentando mostrar que atingir seu petróleo também terá um custo militar para Washington. A Jordânia acaba exposta no meio dessa disputa por hospedar parte da estrutura americana na região.