O governo Donald Trump impôs nesta quinta-feira (4) sanções ao presidente cubano Miguel Díaz-Canel, à sua esposa, ao seu enteado e a dois membros da família Castro, em mais uma rodada de pressão máxima sobre Havana. As medidas, publicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro americano (OFAC), congelam ativos sob jurisdição dos EUA e proíbem qualquer transação com os sancionados. No mesmo dia, Trump afirmou que vai "cuidar" de Cuba assim que concluir a ofensiva contra o Irã.
O que foi sancionado
Além de Díaz-Canel, foram incluídos na lista SDN (Specially Designated Nationals) sua esposa Lis Cuesta Peraza, seu enteado Manuel Anido Cuesta, Alejandro Castro Espín (filho do ex-presidente Raúl Castro) e Raúl Alejandro Castro Calis, neto de Raúl Castro.
No lado institucional, o Departamento do Tesouro sancionou o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, os Comitês de Defesa da Revolução, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), a agência de turismo Amistur Cuba e a Minera la Victoria, joint venture entre a empresa cubana Geominera e a australiana Antilles Gold.
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A base legal é a Ordem Executiva 14404, assinada por Trump em 1º de maio, que ampliou o escopo das sanções contra figuras ligadas à repressão em Cuba ou consideradas ameaça à segurança nacional americana.
O que disseram Trump e Rubio
"Desde o programa de Fidel Castro para globalizar a chamada 'revolução' marxista, Havana tem servido como uma base avançada para uma guerra irregular global contra os interesses dos Estados Unidos."
— Marco Rubio, secretário de Estado
Trump foi além: afirmou que tem "planos muito bons para Cuba" e que vai "se encarregar" da ilha após o impasse com o Irã. O presidente americano também mencionou um componente eleitoral, afirmando que "95% dos cubanos nos EUA votaram em mim".
A reação de Havana
Díaz-Canel condenou as medidas em discurso no mesmo dia em que foi sancionado, durante a inauguração de uma unidade do Instituto Nacional de Oncologia e Radiologia em Havana. Chamou as ações de "cegueira política" e afirmou que a "agressão dos EUA irá colidir com a determinação de Cuba de enfrentar os piores cenários". O chanceler Bruno Rodríguez também publicou nota de repúdio nas redes sociais.
Efeito prático: discussão em aberto
Analistas questionam o alcance real das sanções. Richard Feinberg, ex-assessor de segurança nacional dos EUA para a América Latina e professor emérito da Universidade da Califórnia em San Diego, avaliou que é "bastante improvável" que Díaz-Canel e os demais sancionados tenham ativos no sistema financeiro americano. O impacto simbólico e de pressão política, no entanto, é reconhecido como significativo.
O efeito prático maior pode estar no setor privado: grupos hoteleiros internacionais já se desvincularam da gestão de quase uma centena de estabelecimentos turísticos na ilha, temendo sanções secundárias dos EUA. Os pagamentos com Visa e Mastercard também foram suspensos em Cuba nos últimos dias.
Contexto: bloqueio, apagões e colapso econômico
Desde janeiro de 2026, quando os EUA ameaçaram sancionar quem vender petróleo a Cuba, a ilha ficou três meses sem receber combustível. O bloqueio energético imposto pela administração Trump gerou apagões severos, elevação de preços básicos, redução do transporte público e da cesta básica subsidiada. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, este é o pior momento vivido pelo país.
Impacto para o Brasil
O governo Lula não se pronunciou até o fechamento desta matéria. O Brasil tem histórico de defesa da soberania cubana em fóruns multilaterais — em maio, Lula defendeu ajuda a Cuba em reunião em Barcelona. Sanções secundárias dos EUA podem afetar empresas brasileiras com negócios na ilha. Atualizar quando houver reação oficial de Brasília.
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