Cuba, Trump e pressão dos EUA no Caribe
Cobertura acompanha a nova pressão dos Estados Unidos contra Cuba, com declarações de Donald Trump e Marco Rubio, sanções contra Havana, reação de China e Rússia e risco de escalada diplomática no Caribe.
Última atualização: 10 de jun. de 2026, 17:55

Publicidade
Últimas atualizações da cobertura
Acompanhe os principais fatos novos, mudanças relevantes e desdobramentos conectados a esta cobertura.
Hegseth usa Guantánamo para enviar novo recado militar a Cuba
A visita de Pete Hegseth a Guantánamo colocou a base americana em Cuba novamente no centro da tensão entre Washington e Havana. Diante de tropas dos EUA, o chefe do Pentágono afirmou que Cuba não deveria buscar armas capazes de atingir Guantánamo ou o território americano. A fala amplia a pressão do governo Trump sobre a ilha e desloca a crise para um terreno mais militar. Guantánamo funciona como um símbolo sensível da presença americana dentro de Cuba, e o recado de Hegseth reforça a linha dura adotada por Washington no Caribe.

EUA sancionam Díaz-Canel e ampliam pressão direta sobre Cuba
O governo Donald Trump sancionou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, familiares e entidades estatais de Cuba, em nova escalada de pressão contra Havana. A medida também mira áreas ligadas às Forças Armadas, turismo, mineração e redes políticas do regime cubano.
Os Estados Unidos impuseram uma nova rodada de sanções contra Cuba, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa, seu enteado e dois integrantes da família Castro. A medida, publicada pela OFAC, congela ativos sob jurisdição americana e proíbe transações com os sancionados. A decisão amplia o alcance da pressão de Donald Trump sobre Havana. Além de pessoas ligadas ao alto escalão cubano, o pacote atinge o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, os Comitês de Defesa da Revolução, o ICAP, a agência Amistur Cuba e a Minera la Victoria.

Cuba defende GAESA após sanções dos EUA levarem hotéis a romper vínculos
O governo cubano defendeu o conglomerado militar GAESA enquanto empresas hoteleiras estrangeiras passaram a se afastar de hotéis ligados ao grupo após a ampliação das sanções dos Estados Unidos.
Cuba defendeu nesta terça-feira o conglomerado militar GAESA, alvo antigo de sanções dos Estados Unidos, e afirmou que o grupo contribuiu para o desenvolvimento econômico e social do país. A reação ocorre depois de novas medidas do governo Donald Trump aumentarem a pressão sobre setores ligados à economia cubana. As redes Blue Diamond Resorts, do Canadá, e Iberostar, da Espanha, romperam vínculos com hotéis sancionados ou ligados à GAESA. A Blue Diamond deixará completamente Cuba, onde operava 15 hotéis, enquanto a Iberostar seguirá administrando alguns empreendimentos não vinculados ao conglomerado. A saída das empresas não significa necessariamente fechamento dos hotéis; a gestão deve ser transferida à Gaviota, empresa de turismo ligada à GAESA, segundo fontes do setor. A pressão também atinge a logística da ilha. A Reuters informa que as empresas de transporte marítimo CMA CGM e Hapag-Lloyd suspenderam reservas de cargas de e para Cuba, em uma medida que pode afetar até 60% do tráfego marítimo cubano em volume. Companhias aéreas, incluindo Rossiya e Air Canada, também suspenderam serviços para Cuba em meio à escassez de combustível de aviação e à queda do turismo.
Cuba vê risco maior de agressão militar dos EUA
Josefina Vidal afirmou que o perigo de ação militar americana cresce enquanto negociações entre Havana e Washington seguem sem avanço relevante.
A vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal, disse que o risco de agressão militar dos Estados Unidos contra a ilha está crescendo à medida que as negociações entre os dois países ficam paradas. Ela acusou Washington de fabricar pretextos para apresentar Cuba como ameaça à segurança nacional americana. A fala eleva o tom da reação cubana em meio à pressão do governo Trump, que inclui sanções, restrições ligadas a combustível, acusações contra Raúl Castro e declarações de autoridades americanas sobre segurança nacional.

Cubanos protestam diante da Embaixada dos EUA em Havana
Manifestação pró-governo reuniu milhares de pessoas contra o indiciamento de Raúl Castro e a pressão americana sobre Cuba.
Milhares de cubanos se reuniram diante da Embaixada dos Estados Unidos em Havana em uma manifestação pró-governo contra o indiciamento de Raúl Castro. O ato contou com presença de autoridades cubanas, incluindo Miguel Díaz-Canel e Manuel Marrero, além de familiares do ex-presidente. A mobilização amplia a reação de Havana contra Washington e transforma o caso judicial em disputa política direta diante da representação americana na ilha. Cuba acusa os EUA de usar o indiciamento como parte de uma ofensiva mais ampla contra o regime.

Rubio diz que chance de acordo com Cuba não é alta
Secretário de Estado dos EUA afirmou que Washington prefere solução diplomática, mas vê baixa chance de acordo com a atual liderança cubana.
Marco Rubio disse que a possibilidade de um acordo negociado com Cuba “não é alta”, embora os Estados Unidos afirmem preferir uma solução diplomática. A declaração amplia a tensão em um momento em que Trump voltou a sugerir que pode agir contra a ilha. A fala indica que a diplomacia permanece aberta no discurso, mas limitada na prática. A pressão americana passou a combinar acusação criminal contra Raúl Castro, sanções, críticas ao conglomerado militar GAESA e linguagem mais dura da Casa Branca.

EUA indiciam Raúl Castro por caso de aviões abatidos em 1996
Departamento de Justiça dos EUA acusou o ex-presidente cubano em caso ligado à morte de quatro pessoas em 1996.
Os Estados Unidos indiciaram Raúl Castro e outros acusados por supostos papéis no abatimento de dois aviões civis operados pelo grupo Brothers to the Rescue em 1996. O caso matou quatro pessoas e voltou ao centro da tensão entre Washington e Havana em meio à escalada de pressão do governo Donald Trump contra Cuba. O episódio ganhou peso político porque atinge uma das figuras históricas do regime cubano. Embora o caso seja antigo, o indiciamento ocorre em um momento de deterioração acelerada das relações entre os dois países.

Publicidade
O que está acontecendo agora
Cuba voltou ao centro da política externa dos Estados Unidos no Caribe. A pressão de Washington envolve declarações de Donald Trump e Marco Rubio, medidas judiciais e econômicas, sanções contra estruturas ligadas ao regime cubano e reações de aliados de Havana, como China e Rússia. O Trendahora acompanha a crise como uma cobertura em desenvolvimento, com foco nos riscos diplomáticos, políticos e geopolíticos para a região.
Por que isso importa
A nova tensão com Cuba importa porque recoloca a ilha no centro da política externa dos Estados Unidos no Caribe. A pressão americana não está limitada a uma disputa diplomática: envolve acusação criminal contra uma figura histórica do regime cubano, sanções econômicas, pressão sobre estruturas militares e reação de potências rivais dos EUA. O caso pode se transformar em mais um ponto de atrito geopolítico no hemisfério ocidental.
Impacto para o Brasil
Não há impacto econômico direto claro para o Brasil neste momento. A relevância para o país é principalmente diplomática e regional. Se a tensão entre Estados Unidos e Cuba escalar, o Brasil pode ser pressionado a se posicionar em fóruns como ONU, OEA ou articulações latino-americanas, especialmente em debates sobre sanções, soberania, intervenção externa e estabilidade no Caribe.
Fontes e metodologia
O Trendahora acompanha fontes oficiais, agências internacionais, declarações públicas de autoridades e avaliações qualificadas. Esta página é atualizada apenas quando há informação nova relevante.
Matérias relacionadas
internacional
Chefe do Pentágono vai a Guantánamo e alerta Cuba contra armas capazes de atingir os EUA
internacional
EUA sancionam presidente de Cuba Díaz-Canel, família e cúpula do regime; Trump promete "cuidar" da ilha após Irã
internacional
Cuba diz que risco de ação militar dos EUA cresce com negociações paradas
internacional
Cuba leva protesto à embaixada dos EUA e eleva reação contra pressão de Trump
internacional
Lula defende reforma da ONU, regulação digital e ajuda a Cuba em reunião em Barcelona; Trump repercute fala do presidente
internacional