O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo, 2 de agosto, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, repetindo com Geraldo Alckmin a chapa vencedora de 2022. A convenção nacional foi realizada no Expo Center Norte, em São Paulo.

A homologação encerra formalmente a fase de pré-candidatura dentro do partido, mas não representa ainda o registro definitivo na Justiça Eleitoral. Partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para apresentar os pedidos de candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral.

Durante o evento, Lula concentrou o discurso na defesa das entregas de seu atual governo e deixou a apresentação do programa eleitoral completo para 16 de agosto, data em que começa oficialmente a propaganda nas ruas e na internet.

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Programa será apresentado no ABC paulista

O primeiro ato oficial da campanha será realizado no Estádio 1º de Maio, conhecido como Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. O local foi palco das greves dos metalúrgicos que projetaram Lula como liderança sindical no fim da década de 1970.

Ao falar sobre a estratégia eleitoral, o presidente afirmou que a campanha deverá comparar as realizações do governo com as promessas dos adversários.

“Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer”, declarou Lula durante a convenção.

Embora o documento completo ainda não tenha sido apresentado, Lula antecipou temas que pretende priorizar em um eventual quarto mandato. Entre eles estão uma reforma mais profunda da educação, uma política nacional para idosos, o aumento dos investimentos em defesa e o desenvolvimento da cadeia brasileira de terras raras.

O presidente também citou investimentos em inteligência artificial, transição energética e na indústria nacional de drones. Ao tratar dos minerais estratégicos, defendeu que o Brasil mantenha o controle sobre a exploração das reservas nacionais.

Lula também afirmou que não pretende limitar um eventual novo governo à continuidade dos programas sociais que marcaram seus mandatos anteriores. Segundo ele, o próximo programa deverá apresentar projetos mais amplos para o desenvolvimento do país.

Disputa por emendas entra no discurso

Outro tema levantado pelo presidente foi o avanço do Congresso sobre os recursos do Orçamento por meio das emendas parlamentares.

Lula afirmou que pretende discutir novamente a divisão de atribuições entre o Executivo e o Legislativo. O presidente considera que a ampliação das emendas reduziu a capacidade do governo federal de decidir sobre investimentos nacionais.

O assunto pode se tornar um dos principais pontos de tensão institucional caso Lula seja reeleito, já que deputados e senadores ampliaram nos últimos anos o controle direto sobre partes do Orçamento.

Aliança reúne sete partidos

A candidatura de Lula recebeu o apoio de sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.

PT, PCdoB e PV integram a Federação Brasil da Esperança. PSOL e Rede também atuam dentro de uma federação partidária, enquanto PSB e PDT aderiram à aliança presidencial.

O PT classifica a união como inédita desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, considerando a adesão conjunta dessas sete legendas já no primeiro turno.

Geraldo Alckmin, filiado ao PSB, foi mantido como candidato a vice-presidente. O nome dele já havia sido confirmado por Lula em março e foi homologado pelo PSB antes da convenção petista.

Calendário eleitoral

As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Depois dessa etapa, as siglas terão até o dia 15 para registrar as candidaturas.

A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. O primeiro turno da eleição presidencial será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.