O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 10 de julho, que o avanço do Brasil na exploração e industrialização de terras raras poderá preocupar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante uma reunião no Palácio do Planalto sobre minerais críticos e estratégicos.
Lula defendeu que o país deixe de ocupar apenas a posição de fornecedor de matéria-prima e desenvolva capacidade própria de processamento, pesquisa e fabricação de produtos tecnológicos. Ao relacionar a estratégia brasileira à disputa entre Estados Unidos e China, declarou:
“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil.”
O presidente afirmou que a intenção é exportar conhecimento e produtos de maior valor agregado, em vez de limitar a participação brasileira à retirada e à venda do minério. O encontro reuniu ministros, representantes do governo e integrantes do setor mineral para discutir o papel do Estado, incentivos e limitações tecnológicas.
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Brasil tem reserva, mas produz pouco
O Brasil aparece com 11 milhões de toneladas em reservas de terras raras no Mineral Commodity Summaries 2026, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS. É a segunda maior quantidade listada no relatório, atrás das 44 milhões de toneladas atribuídas à China.
A posição nas reservas, porém, ainda não se traduz em produção na mesma escala. O USGS estima que o Brasil tenha produzido 2 mil toneladas em 2025, diante de uma produção mundial de aproximadamente 390 mil toneladas. Isso representa cerca de 0,5% do total global.
A China, por comparação, produziu 270 mil toneladas no mesmo período, quase 70% do total estimado. Os números mostram que a vantagem geológica brasileira ainda está distante de se transformar em participação industrial relevante.
O que são terras raras
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos empregados em produtos como ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Elas fazem parte do conjunto mais amplo dos minerais críticos, categoria que também pode incluir elementos como lítio, grafite, cobalto e níquel. Um mineral é considerado crítico quando sua oferta pode ser insuficiente ou vulnerável diante de sua importância econômica, tecnológica ou estratégica.
Embora a extração seja importante, as etapas de separação, refino e transformação costumam concentrar maior valor tecnológico e econômico. É justamente nessa área que a China construiu uma posição dominante e que países como Estados Unidos e Brasil tentam ampliar suas capacidades.
Projeto sobre minerais críticos está no Senado
A discussão ocorre enquanto o Senado analisa o PL 2.780/2024, já aprovado pela Câmara dos Deputados. A proposta institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República.
O texto pretende estimular pesquisa, extração, beneficiamento e transformação dos minerais no Brasil. A proposta também prevê um fundo garantidor com aporte de R$ 2 bilhões da União e R$ 5 bilhões em incentivos fiscais ao longo de cinco anos para projetos de beneficiamento e industrialização.
O projeto permanece em tramitação. Em 6 de julho, foi apresentado um requerimento para que a matéria seja analisada em regime de urgência no Senado.



