O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende procurar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a guerra na Ucrânia e a atuação das principais potências no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
Participantes de uma reunião de Lula com parlamentares do PSOL e da Rede disseram ao jornal O Globo que o presidente mencionou a possibilidade de procurar Trump na próxima semana. O telefonema, porém, ainda não tem data marcada nem preparação formal confirmada pelos dois governos.
A intenção também foi apresentada publicamente por Lula durante entrevista concedida na quarta-feira, 5 de agosto, aos canais Meteoro Brasil e Os Três Elementos.
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“Vou falar com o Trump também”, afirmou o presidente ao descrever conversas recentes com os líderes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
Lula defendeu que as principais potências se reúnam para discutir formas de interromper os conflitos internacionais em andamento.
Prazo foi mencionado a aliados
A referência à próxima semana ocorreu durante uma reunião no Palácio da Alvorada convocada para formalizar o apoio da Federação PSOL-Rede à candidatura de Lula à reeleição.
Segundo os relatos da reunião, Lula afirmou que pretende levar a Trump a mesma defesa apresentada aos presidentes da China e da Rússia: uma articulação entre os membros permanentes do Conselho de Segurança para buscar uma saída negociada para a guerra na Ucrânia.
Apesar da sinalização política, interlocutores do Palácio do Planalto afirmaram que o contato ainda não está sendo formalmente articulado. Também não havia, até a publicação, confirmação da Casa Branca sobre uma conversa entre os dois presidentes.
Ucrânia é a pauta anunciada por Lula
O governo russo confirmou que Putin conversou com Lula em 4 de agosto, por iniciativa do lado brasileiro. A ligação abordou questões internacionais e a relação entre Brasil e Rússia, segundo o comunicado do Kremlin.
O Ministério das Relações Exteriores da China também confirmou uma conversa entre Lula e Xi Jinping, realizada em 27 de julho a pedido do presidente brasileiro. Os comunicados oficiais confirmam os contatos diplomáticos, embora não reproduzam integralmente a pauta descrita posteriormente por Lula na entrevista.
O Conselho de Segurança possui 15 integrantes. Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido ocupam os cinco assentos permanentes e têm poder de veto sobre decisões relevantes do órgão.
Crise entre Brasil e EUA cerca possível conversa
Lula não apresentou a crise bilateral como a pauta principal do contato anunciado com Trump. O telefonema, entretanto, é cogitado em meio a uma nova escalada diplomática entre Brasília e Washington.
Nesta semana, os Estados Unidos alteraram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi vinculada pelo governo americano à demora brasileira em conceder o aval ao indicado de Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O episódio se soma às tarifas americanas contra produtos brasileiros, às restrições de vistos e às acusações do governo Lula de que Washington tenta interferir em decisões políticas internas do Brasil.
Lula e Trump já mantiveram uma negociação direta no atual mandato. Em maio, os dois presidentes se reuniram por cerca de três horas na Casa Branca e discutiram tarifas, segurança e minerais críticos, sem anunciar uma solução definitiva para os principais impasses bilaterais.
A nova conversa poderá reabrir esse canal político no mais alto nível. Até o momento, porém, há apenas a intenção declarada por Lula: não existe data confirmada, pauta bilateral fechada ou anúncio de que Trump tenha aceitado o telefonema.



