Pela primeira vez nesta fase da guerra, o Irã abriu uma nova rodada direta de ataques contra forças americanas sem que houvesse um bombardeio dos Estados Unidos imediatamente anterior contra o território iraniano.

A Guarda Revolucionária lançou vários mísseis balísticos contra uma base aérea e instalações do comando militar americano na Jordânia. O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que todos os projéteis foram interceptados e classificou a ofensiva como uma tentativa de ataque-surpresa.

O lançamento rompeu uma breve pausa iniciada depois que Donald Trump suspendeu, na sexta-feira, uma campanha de 13 noites consecutivas de bombardeios ao Irã. Washington havia apresentado a interrupção como uma oportunidade para a diplomacia.

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Dois dias antes do novo ataque, um alto funcionário iraniano havia informado que Teerã manteria uma política de “ataque por ataque”: caso os bombardeios americanos parassem, o Irã também interromperia suas operações.

Irã muda o padrão da nova fase

Durante as duas semanas anteriores, as forças iranianas lançaram mísseis e drones contra países que abrigam bases americanas após cada noite de ataques dos Estados Unidos ao território iraniano.

O padrão apresentado por Teerã era o de uma resposta militar direta às ofensivas de Washington. Desta vez, não havia registro de novo bombardeio americano contra o Irã antes do lançamento dos mísseis em direção à Jordânia.

A mudança transforma o episódio em mais do que outra troca de ataques. O Irã passou de uma postura declarada de resposta proporcional para a abertura de uma nova rodada de hostilidades.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que suas operações continuarão enquanto persistirem ameaças contra a República Islâmica e ações americanas contra interesses iranianos.

A formulação amplia a justificativa utilizada por Teerã. Em vez de vincular a resposta apenas a bombardeios dentro do Irã, a Guarda Revolucionária passa a incluir ameaças e ações contra interesses iranianos em outros países.

Mísseis foram dirigidos à Jordânia

A Guarda Revolucionária afirmou ter atacado uma base aérea americana e um centro do comando militar dos Estados Unidos instalados na Jordânia.

O CENTCOM não identificou publicamente, em seu primeiro comunicado, qual instalação foi escolhida como alvo. O comando declarou que suas forças permanecem em estado elevado de prontidão.

Não houve relato inicial de mortos, feridos ou danos. A afirmação de que todos os mísseis foram neutralizados partiu das Forças Armadas americanas.

A Jordânia já havia sido atingida em diferentes momentos da guerra. No início de julho, sistemas de defesa jordanianos interceptaram mísseis lançados do território iraniano, enquanto ataques anteriores contra bases americanas no país provocaram mortes de militares dos Estados Unidos.

Ataques anteriores eram apresentados por Teerã como respostas a operações americanas realizadas horas antes em território iraniano.

Bombardeios atingem grupos no Iraque

Horas depois do lançamento dos mísseis, aviões dos Estados Unidos e da Arábia Saudita bombardearam instalações de grupos apoiados pelo Irã no leste do Iraque.

Washington e Riad afirmaram que os locais eram utilizados para armazenar armas, organizar operações e lançar drones contra forças americanas e instalações petrolíferas sauditas.

O CENTCOM relacionou os bombardeios a mais de 30 ataques com drones que teriam sido dirigidos pela Guarda Revolucionária durante as 72 horas anteriores.

A operação no Iraque não foi apresentada oficialmente como retaliação direta aos mísseis lançados contra a Jordânia. Os ataques sauditas e americanos responderam ao conjunto de ofensivas atribuídas às milícias instaladas em território iraquiano.

As Forças de Mobilização Popular do Iraque informaram que diferentes sedes foram atingidas e que os primeiros levantamentos indicavam mortos e feridos. O número de vítimas ainda não havia sido consolidado.

Teerã nega controle sobre ataques de aliados

Uma autoridade militar iraniana negou que Teerã tenha ligação com projéteis lançados de outros países contra instalações sauditas.

Segundo o governo iraniano, atribuir automaticamente ao Irã ataques realizados por grupos aliados representa um erro de cálculo.

A declaração cria uma separação entre as ações assumidas diretamente pela Guarda Revolucionária, como o lançamento de mísseis contra a Jordânia, e as operações de milícias apoiadas por Teerã no Iraque e no Iêmen.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita sustentam que esses grupos atuam com orientação, armamentos e apoio da Guarda Revolucionária.

Pausa militar durou poucos dias

A interrupção dos ataques havia reduzido a intensidade do confronto e aberto espaço para negociações conduzidas por mediadores.

Trump afirmou na segunda-feira que Estados Unidos e Irã mantinham “boas conversas”, embora Teerã negasse uma negociação direta com Washington.

Omã também apresentou uma proposta para retomar a navegação no Estreito de Ormuz. O plano previa uma administração regional da passagem e contribuições voluntárias pagas por navios.

O Irã rejeitou a divisão proposta das rotas e apresentou uma contraproposta que lhe concederia maior controle sobre o tráfego marítimo.

O novo ataque contra a Jordânia mostra que as negociações sobre Ormuz e a pausa nos bombardeios não produziram um cessar-fogo estável.

A decisão agora volta para Trump. O presidente americano havia advertido que retomaria uma ação militar intensa caso a diplomacia não avançasse.

Petróleo volta a subir

A retomada dos ataques levou os preços internacionais do petróleo a subirem mais de US$ 3 por barril.

O Brent avançava 3,9%, para US$ 87,39, enquanto o petróleo americano WTI subia 3,8%, para US$ 82,31, nos valores registrados durante a manhã de quarta-feira.

O mercado reagiu ao risco de retomada dos bombardeios contra o território iraniano, de ampliação dos ataques a instalações petrolíferas e de novos bloqueios no Estreito de Ormuz.