Mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em diferentes regiões do Irã nesta sexta-feira, 24 de julho, durante a 13ª noite consecutiva de ataques americanos contra o país.
O Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, afirmou que a operação durou mais de duas horas e teve como alvos centros de comando militar, depósitos de drones, redes de comunicação, pontos de vigilância costeira e capacidades marítimas iranianas.
Segundo autoridades e veículos iranianos, projéteis americanos atingiram um quartel-general naval da Guarda Revolucionária na região de Ziba Kenar, na província de Gilan, próxima ao Mar Cáspio. Também foram registrados ataques na cidade portuária de Bandar Anzali.
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A emissora estatal iraniana IRIB informou que quatro pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas em um ataque americano contra a cidade de Ahvaz, no sudoeste do país. O número de vítimas foi divulgado pelas autoridades iranianas e não teve confirmação independente dos Estados Unidos.
Irã responde contra posições americanas
Após a ofensiva, as forças iranianas disseram ter atacado posições militares americanas no Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
O Exército da Jordânia confirmou que seus sistemas de defesa aérea e aeronaves da Força Aérea interceptaram sete mísseis e seis drones lançados do território iraniano nesta sexta-feira.
Segundo as Forças Armadas jordanianas, as interceptações não provocaram mortes, feridos ou danos materiais. Equipes de engenharia foram enviadas aos pontos onde os destroços caíram.
O Irã também afirmou ter atacado depósitos militares e acampamentos usados por tropas americanas no Kuwait, uma instalação ligada à Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e posições militares no Iraque. Essas alegações não foram confirmadas publicamente pelos Estados Unidos.
Trump fala em acordo ou intensificação militar
O presidente Donald Trump afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre uma nova ofensiva de maior escala contra o Irã.
Trump disse que os Estados Unidos podem continuar os ataques e aumentar a intensidade da campanha militar ou buscar uma saída por meio de um acordo diplomático.
O presidente americano afirmou que Washington mantém conversas com Teerã e considera que o governo iraniano passou a demonstrar maior seriedade nas negociações. Ao mesmo tempo, declarou que as forças americanas permanecem preparadas para ampliar as operações.
Nas últimas semanas, Trump ameaçou incluir entre os possíveis alvos instalações de energia, pontes, a ilha petrolífera de Kharg e uma estrutura subterrânea associada ao programa nuclear iraniano.
Houthis ampliam pressão no Mar Vermelho
A nova rodada de ataques ocorreu enquanto a guerra também avança para o Mar Vermelho.
Os houthis, grupo armado que controla partes do Iêmen e mantém aliança com o Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita e reivindicaram ataques contra dois petroleiros sauditas.
Um dos ataques, contra o petroleiro Encelia, foi confirmado pelas autoridades sauditas. O navio sofreu um incêndio na proa, mas todos os tripulantes ficaram a salvo.
Trump afirmou que responsabilizará o Irã caso os houthis realizem novos ataques e prometeu uma forte resposta militar contra Teerã e contra o grupo do Iêmen.
A ofensiva dos houthis amplia a pressão sobre duas das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O Estreito de Ormuz já enfrenta forte redução no tráfego, enquanto o Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
Ataques contra embarcações no Mar Vermelho levaram navios a alterar rotas e aumentaram o custo dos seguros marítimos. O petróleo Brent chegou a superar US$ 100 por barril durante a quinta-feira, antes de recuar na sexta.
Para o Brasil, o principal risco ocorre por meio da volatilidade do petróleo, dos combustíveis, do dólar e dos custos de transporte internacional. Uma escalada simultânea em Ormuz e no Mar Vermelho pode ampliar a pressão sobre preços e cadeias globais de abastecimento.



