Estados Unidos e Irã ampliaram nesta quinta-feira, 16 de julho, a troca de ataques no sexto dia consecutivo de combates após o colapso da trégua firmada no mês passado. Washington iniciou uma nova onda contra alvos iranianos, enquanto Teerã lançou mísseis e drones contra países que abrigam tropas e instalações americanas no Oriente Médio.
O Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, anunciou que as forças americanas começaram a nova ofensiva às 14h no horário da costa leste dos EUA, 15h em Brasília. Segundo o comando, o objetivo era reduzir ainda mais as capacidades militares do Irã. Os alvos e os resultados dessa nova onda não foram imediatamente detalhados.
A operação marcou a sexta noite seguida de ataques americanos. Comunicados anteriores do CENTCOM registram ofensivas realizadas desde 11 de julho, quando começou o atual ciclo de bombardeios após a trégua perder efeito.
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Ataques atingem região estratégica de Ormuz
Durante a noite, projéteis americanos atingiram a ilha de Qeshm e áreas próximas de Bandar Abbas, cidade que abriga o maior porto do Irã e instalações importantes da Marinha e da Guarda Revolucionária.
Veículos iranianos também relataram impactos em pontes, em uma estação ferroviária e no aeroporto de Iranshahr. Os Estados Unidos não haviam confirmado individualmente esses alvos até a publicação, e parte dos relatos não pôde ser verificada de maneira independente.
A imprensa iraniana ainda registrou explosões em Ahvaz, Chabahar, Semnan e outras regiões do país. Em Ahvaz, um hospital infantil especializado no tratamento de câncer retirou pacientes depois de um ataque nas proximidades. Não havia indicação de que a unidade médica tivesse sido escolhida deliberadamente como alvo.
Irã responde contra bases no Kuwait e na Jordânia
Na Jordânia, as Forças Armadas confirmaram a interceptação de oito mísseis iranianos durante a madrugada. Segundo o comunicado oficial, não houve mortos, feridos ou danos materiais. Equipes militares recolheram destroços encontrados em diferentes pontos do território jordaniano.
O Irã afirmou que pretendia atingir sistemas de radar, comunicação e depósitos de combustível na base de Al-Azraq, também conhecida como Muwaffaq Salti, utilizada por forças americanas. A Jordânia não confirmou danos na instalação militar.
No Kuwait, as forças de defesa enfrentaram seis mísseis e 33 drones, segundo a agência estatal KUNA. Quatro integrantes da Marinha kuwaitiana ficaram feridos durante os ataques.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou que mirou um radar de alerta e uma área de concentração de militares americanos na base aérea de Ali Al Salem. As autoridades do Kuwait confirmaram os ataques e as interceptações, mas não informaram que os equipamentos citados pelo Irã tenham sido destruídos.
Teerã também afirmou ter atacado radares, sistemas de defesa Patriot e estruturas de abastecimento em instalações americanas no Bahrein. As declarações iranianas sobre destruição de equipamentos não receberam confirmação independente até a publicação.
Trégua perde efeito e Ormuz volta ao centro da guerra
A nova escalada ocorre depois de um memorando firmado no mês passado ter interrompido os principais combates e estabelecido uma trégua. A sequência de ataques iniciada em 11 de julho praticamente desfez esse acordo e voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro da disputa.
O fluxo de navios pela passagem, uma das principais rotas mundiais de petróleo e gás, voltou a ser afetado. O Irã retomou as restrições no estreito, enquanto os Estados Unidos reativaram o bloqueio de portos iranianos.
Para o Brasil, o principal risco está na repercussão sobre o petróleo, o transporte marítimo, o dólar e os custos de importação. A interrupção prolongada das rotas energéticas pode aumentar a volatilidade internacional, embora ainda não seja possível medir um impacto direto sobre os preços brasileiros.
Até a publicação, estava confirmado que Estados Unidos e Irã realizaram novos ataques nesta quinta-feira. Permaneciam sem comprovação independente as alegações de Teerã sobre radares, depósitos, aeronaves e centros militares americanos destruídos.


