Os Estados Unidos estão aumentando a pressão sobre uma das principais fontes de dinheiro do Irã: o petróleo. Teerã, por sua vez, reconhece que a economia virou uma frente central do conflito, mas tenta responder deixando claro que novos ataques terão um custo militar maior.

A nova escalada ficou evidente no sábado (5), quando o Comando Central dos EUA afirmou ter atingido três petroleiros iranianos após mísseis da Guarda Revolucionária serem lançados em direção a dois navios militares americanos. Segundo o CENTCOM, nenhum militar dos EUA ficou ferido.

O comandante americano Brad Cooper deixou claro que os petroleiros não foram escolhidos por acaso. Ao anunciar os ataques, afirmou que Washington imporia um custo econômico maior ao Irã sempre que forças americanas fossem atacadas.

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O que os EUA querem com o cerco econômico

A lógica já vinha sendo anunciada pelo governo Donald Trump. Em agosto, o Departamento do Tesouro lançou a Operation Economic Outcast, uma ofensiva para cortar canais usados pelo Irã para vender petróleo, movimentar dinheiro e contornar sanções.

O objetivo declarado por Washington é reduzir as fontes de receita que sustentam o governo iraniano e a Guarda Revolucionária. Na sexta-feira (4), o Tesouro voltou a ampliar essa pressão ao sancionar um banco na Turquia acusado de facilitar operações financeiras ligadas ao Irã.

O Irã admite onde a pressão está chegando

No domingo (6), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, reconheceu que a disputa deixou de ser apenas militar.

Ele afirmou que uma das principais batalhas do país agora está na produção e no sustento da população e citou fortes oscilações do câmbio, inflação, desemprego e problemas na administração do mercado como pressões sobre os iranianos.

O Ministério da Economia também criou uma estrutura chamada de “quartel-general de guerra econômica” para acelerar respostas a problemas provocados pelo conflito em empresas, comércio e financiamento.

Isso não significa que Teerã esteja indicando uma rendição. A mensagem é outra: o governo reconhece que a pressão americana está atingindo a economia e tenta administrar esse desgaste sem demonstrar fraqueza diante dos EUA.

Por que o Irã ameaça responder com mais força

No mesmo pronunciamento em que falou dos problemas econômicos, Qalibaf endureceu o discurso militar.

Segundo ele, a fase das “respostas proporcionais” terminou. A partir de agora, disse, qualquer ataque contra os interesses ou a segurança do Irã deverá receber uma reação “mais rápida, mais pesada e mais dolorosa”.

É aí que aparecem os interesses dos dois lados. Washington tenta convencer Teerã de que continuar a guerra ficará cada vez mais caro para sua economia. O Irã tenta convencer Washington de que aumentar essa pressão também produzirá um custo militar e regional maior.

A disputa, portanto, não é apenas sobre quem consegue realizar mais ataques. Os EUA tentam usar sua força econômica para reduzir a capacidade iraniana de sustentar o conflito; o Irã aposta na capacidade de continuar reagindo para impedir que Washington pressione sem pagar um preço.