Escritor sobe oito pontos em duas semanas e lidera numericamente entre eleitores independentes; confronto entre Lula e Flávio fica em 42% a 41%.
A nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) mantém Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na frente da disputa presidencial, mas acrescenta uma mudança importante no grupo que vem atrás: Augusto Cury (Avante) passou de 2% para 10% das intenções de voto em duas semanas.
No principal cenário de primeiro turno, sem Pablo Marçal, que está inelegível, Lula aparece com 37%, Flávio com 29% e Cury com 10%. Renan Santos (Missão) tem 3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) registram 1% cada.
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Indecisos são 11%, e 7% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem votar.
Quando Marçal é incluído na lista apresentada aos entrevistados, Lula continua com 37%, Cury com 10% e Flávio passa de 29% para 30%. Marçal registra 1%. A diferença explica por que algumas publicações sobre a mesma Quaest apresentam Flávio com 29% e outras com 30%.
Cury cresce oito pontos e confirma movimento de outras pesquisas
A mudança mais clara da rodada está em Augusto Cury.
Na Quaest divulgada em 14 de agosto, o candidato tinha apenas 2%. Agora, aparece com 10%, uma alta de oito pontos percentuais.
O resultado reforça um movimento que o Trendahora já havia identificado nas pesquisas nacionais divulgadas no fim de agosto. Na BTG/Nexus, Cury chegou a 11%, enquanto a AtlasIntel/Bloomberg o colocou numericamente em terceiro, com 7,8%.
Os levantamentos não devem ser tratados como uma mesma série, porque usam metodologias diferentes. O ponto em comum é que três pesquisas nacionais recentes passaram a registrar Cury em um patamar bem superior ao observado anteriormente.
O crescimento também ocorre depois de um período de forte exposição. Após o primeiro debate presidencial, em 23 de agosto, Cury ultrapassou 200 mil buscas entre as tendências registradas pelo Google.
Entre independentes, Cury chega a 24%
A Quaest ajuda a mostrar de onde vem parte desse crescimento.
Entre os eleitores classificados como independentes, Cury aparece numericamente com 24%, contra 21% de Lula, 9% de Flávio Bolsonaro e 4% de Renan Santos.
Existe, porém, espaço para novas mudanças: 65% dos independentes dizem ainda não conhecer Cury.
Além disso, entre todos os entrevistados que atualmente declaram voto no escritor, 52% afirmam que a escolha é definitiva e 48% dizem que ainda podem mudar de candidato.
O dado complementa a pesquisa BTG/Nexus publicada dias antes. Nela, 59% dos eleitores de Cury afirmavam estar decididos, contra 85% entre os apoiadores de Lula e de Flávio.
Em outras palavras, Cury já conseguiu transformar exposição em intenção de voto, mas ainda possui um eleitorado menos consolidado que os dois líderes.
Lula e Flávio ficam separados por apenas um ponto no segundo turno
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro continua tecnicamente empatada.
A Quaest mostra:
- Lula: 42%
- Flávio Bolsonaro: 41%
- branco, nulo ou não votaria: 13%
- indecisos: 4%
Na pesquisa de 14 de agosto, o placar era 43% para Lula e 40% para Flávio. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, as oscilações dos dois candidatos ocorreram dentro desse intervalo e não permitem afirmar isoladamente que Lula caiu ou que Flávio cresceu de forma estatisticamente significativa.
O quadro, porém, é bastante diferente daquele registrado alguns meses atrás. Em julho, a Quaest mostrava Lula oito pontos à frente de Flávio, por 45% a 37%.
Cury também é testado contra Lula
Pela primeira vez nesta rodada, a Quaest simulou um segundo turno entre Lula e Augusto Cury.
O resultado foi:
- Lula: 40%
- Augusto Cury: 34%
- branco, nulo ou não votaria: 21%
- indecisos: 5%
Nos demais confrontos, Lula aparece com 42% contra 37% de Ronaldo Caiado, 43% contra 36% de Renan Santos e 44% contra 33% de Romeu Zema.
Flávio, portanto, continua sendo o adversário que chega numericamente mais perto de Lula em uma disputa direta.
Pesquisa espontânea ainda mostra espaço aberto
Quando a Quaest não apresenta aos entrevistados uma lista de candidatos, Lula é citado espontaneamente por 28% e Flávio Bolsonaro por 20%.
Cury aparece com 4%.
O dado mais relevante é que 42% ainda não sabem espontaneamente em quem votar. A pesquisa espontânea mede uma situação diferente da estimulada e ajuda a mostrar quanto os nomes dos candidatos já estão presentes na memória do eleitor.
O que a pesquisa muda na disputa
O topo permanece praticamente estável: Lula continua liderando o primeiro turno e Flávio segue como seu adversário mais competitivo.
A novidade está abaixo deles.
Até poucas semanas atrás, Caiado, Renan e Zema disputavam o espaço de terceira força sem que nenhum conseguisse se distanciar claramente. Cury agora alcança dois dígitos na Quaest e repete o avanço registrado por outros institutos.
Ainda é cedo, porém, para tratar os 10% como um eleitorado consolidado. Quase metade dos atuais eleitores de Cury admite mudar de escolha, e uma grande parcela dos independentes sequer conhece o candidato.
As próximas rodadas deverão mostrar se o crescimento representa um novo patamar da candidatura ou se parte desse eleitorado retorna a outros nomes conforme a campanha avança.
Como foi feita a pesquisa
A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 30 de agosto e 1º de setembro.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.
Pesquisas eleitorais representam o cenário encontrado durante o período das entrevistas e não constituem previsão do resultado da eleição.



