Duas pesquisas nacionais divulgadas nesta segunda-feira, 31 de agosto, registraram um movimento novo na corrida presidencial: Augusto Cury (Avante) passou a aparecer numericamente em terceiro lugar, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuam bem à frente dos demais candidatos.
O avanço, porém, vem acompanhado de um dado importante sobre a força desse novo eleitorado. Na pesquisa BTG/Nexus, apenas 59% dos eleitores que escolheram Cury afirmam que sua decisão já está tomada e não deve mudar até a eleição. Entre os eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro, o percentual chega a 85% para cada candidato.
Isso significa que Cury ganhou espaço nas intenções de voto, mas parte relevante desse eleitorado continua aberta a mudar de candidato. O dado ajuda a separar duas questões diferentes nesta fase da campanha: crescer em uma pesquisa e transformar esse crescimento em uma base eleitoral estável.
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Cury chega a 11% na Nexus
No principal cenário estimulado da BTG/Nexus, Lula aparece com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Augusto Cury alcança 11%, à frente de Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 3%, e Romeu Zema, com 1%.
A própria Nexus compara o resultado de Cury com os 8% registrados na rodada anterior do cenário utilizado pelo instituto. Lula passou de 41% para 39% e Flávio, de 36% para 33% nessa comparação divulgada pela empresa.
A pesquisa ouviu 2.005 eleitores por telefone entre 28 e 30 de agosto, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08900/2026.
Atlas também coloca Cury numericamente em terceiro
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no mesmo dia mostra Lula com 43,4% e Flávio Bolsonaro com 33,7%. Cury aparece com 7,8%, ligeiramente à frente de Renan Santos, que registra 7,6%.
Como a margem de erro da Atlas é de um ponto percentual, a diferença de 0,2 ponto entre Cury e Renan não permite apontar uma vantagem estatisticamente significativa entre os dois. Os dois estão tecnicamente empatados, embora Cury apareça numericamente à frente.
Na comparação com a pesquisa anterior da Atlas, divulgada no fim de julho, Cury foi de 1,6% para 7,8%. Lula passou de 44,9% para 43,4%, enquanto Flávio Bolsonaro foi de 35,8% para 33,7%.
A Atlas ouviu 5.014 pessoas entre 25 e 30 de agosto. A coleta foi feita por recrutamento digital aleatório, e a margem de erro informada é de um ponto percentual. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07972/2026.
Lula e Flávio ainda concentram a disputa
Apesar da mudança entre os candidatos que aparecem atrás, as duas pesquisas continuam mostrando uma distância grande entre Cury e os dois líderes.
Essa concentração também aparece quando os institutos testam um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na AtlasIntel, Lula registra 47,1% contra 42,6% de Flávio. A diferença é de 4,5 pontos percentuais, superior à margem de erro do levantamento.
Na Nexus, o cenário é mais apertado: Lula tem 46% e Flávio, 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois aparecem tecnicamente empatados. O resultado é o mesmo registrado pela Nexus na rodada anterior.
Os números dos dois institutos não devem ser comparados como se fizessem parte de uma mesma série histórica. Atlas e Nexus usam metodologias, amostras e formas de coleta diferentes. O ponto em comum dos dois levantamentos divulgados no mesmo dia é outro: Cury passou a ocupar um espaço maior na faixa de candidatos que tenta romper a disputa hoje dominada por Lula e Flávio.
Crescimento veio em período de maior exposição
O avanço de Cury também coincide com um período de maior exposição nacional de sua candidatura.
Em 23 de agosto, ele participou do primeiro debate presidencial da Band ao lado de Ronaldo Caiado e Renan Santos. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram. No dia seguinte, a Band informou que Cury havia liderado as buscas no Google durante o debate.
As coletas das duas pesquisas mais recentes ocorreram depois desse debate: a Atlas ouviu eleitores entre os dias 25 e 30, enquanto a Nexus fez as entrevistas de 28 a 30 de agosto. A proximidade temporal mostra que os levantamentos captaram o eleitorado após esse aumento de exposição, mas não permite concluir, por si só, que as aparições na televisão tenham causado o crescimento.
A próxima questão para a candidatura de Cury será saber se esse movimento continua nas próximas rodadas. O dado de consolidação da Nexus oferece uma primeira medida dessa dificuldade: enquanto Lula e Flávio já têm eleitorados fortemente definidos, uma parcela maior dos atuais apoiadores de Cury ainda pode mudar de escolha antes da votação.



