A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou, em vídeos publicados nas redes sociais nesta quarta-feira (24), que foi desrespeitada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma conversa telefônica sobre articulações do partido no Ceará. Ela disse ainda que aliados do parlamentar a tratam “como idiota” nas discussões sobre o rumo eleitoral da sigla no estado.

O atrito envolve a aproximação do PL cearense com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo estadual, e a defesa de Michelle pelo nome de Eduardo Girão (Novo). A ex-primeira-dama também criticou a disputa por vagas ao Senado no Ceará e afirmou que a vereadora Priscila Costa (PL), de Fortaleza, teria sido o nome inicialmente acertado por Jair Bolsonaro para a chapa.

No vídeo, Michelle disse que Flávio foi “ríspido”, a “desrespeitou” e afirmou que seria melhor que ela ficasse fora das decisões do partido. Segundo ela, o episódio a levou a se recolher e a não procurar mais o senador.

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“Para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política”, afirmou Michelle. Ela também disse que não está exigindo a ruptura imediata da aliança com Ciro, mas defendeu que eventual apoio seja discutido apenas em um segundo turno.

A manifestação ampliou a exposição pública de uma disputa interna no bolsonarismo. Michelle tem força própria no PL Mulher e entre eleitores conservadores, enquanto Flávio é tratado como pré-candidato à Presidência pelo partido.

Após a publicação dos vídeos, Flávio Bolsonaro participou de uma transmissão ao vivo no YouTube e evitou citar Michelle diretamente. Ele disse que, em dia de jogo do Brasil, “nada nem ninguém” tiraria seu bom humor e afirmou que o que está em jogo no país está “muito acima de qualquer vaidade”.

O episódio ocorre em um momento sensível para o PL, que tenta organizar palanques estaduais e preservar unidade nacional para 2026. A crise no Ceará, agora transformada em embate público entre Michelle e Flávio, mostra como alianças locais podem tensionar o discurso de unidade da direita bolsonarista.