A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará e afirmou que a direita do estado está “vendida”. A manifestação ocorreu depois que Ciro citou Ronaldo Caiado e Renan Santos como possibilidades para a eleição presidencial, sem mencionar o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Em um comentário publicado no Instagram, Michelle disse que o movimento não a surpreendeu e afirmou que já havia alertado que Ciro buscaria os votos dos eleitores bolsonaristas sem oferecer apoio ao candidato presidencial do partido.

“Infelizmente, a direita no Ceará está vendida”, escreveu Michelle.

A ex-primeira-dama também afirmou que o partido de Ciro havia contribuído para tornar Jair Bolsonaro inelegível. Michelle não nomeou a legenda. A ação eleitoral citada foi apresentada pelo PDT, partido pelo qual Ciro disputou a Presidência em 2022. Atualmente, ele está filiado ao PSDB.

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Ciro cita Caiado e Renan como possibilidades

A declaração que provocou a reação foi dada por Ciro durante entrevista ao News Cariri, na Expocrato, no sábado (18).

Ao falar sobre a eleição presidencial, Ciro afirmou que o PSDB ainda discute qual posição adotará depois que a pré-candidatura de Aécio Neves não avançou. O ex-governador cearense disse que poderia votar em Ronaldo Caiado.

“Eu me dou muito com o Ronaldo Caiado e votaria nele sem nenhuma dificuldade”, declarou.

Ciro também citou Renan Santos, pré-candidato do Missão, como uma possibilidade. Ele elogiou o integrante do MBL e afirmou que acompanha sua movimentação política, embora tenha feito ressalvas a alguns posicionamentos.

Renan respondeu publicamente à declaração:

“Ciro Gomes é inteligentíssimo. Fico lisonjeado e animado com sua declaração”, escreveu.

Flávio Bolsonaro não foi mencionado entre as possibilidades apresentadas por Ciro, apesar de o PL apoiar sua candidatura ao governo do Ceará.

Aliança estadual não garante apoio presidencial

Na entrevista, Ciro procurou separar a disputa estadual da eleição presidencial. Segundo ele, sua aliança no Ceará reúne políticos que seguirão caminhos diferentes na corrida pelo Palácio do Planalto.

O deputado estadual Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado pela chapa apoiada por Ciro, pertence ao PL e apoia Flávio. Mauro Benevides Filho, que participa da elaboração do programa de governo, é aliado de Luiz Inácio Lula da Silva.

A composição permite que Ciro receba o apoio do PL no Ceará sem assumir compromisso com a candidatura presidencial de Flávio. Essa separação é justamente o ponto contestado por Michelle, que acusa dirigentes locais de oferecerem os votos bolsonaristas sem uma contrapartida nacional.

Bastidor indica incômodo, mas não rompimento

Segundo o jornal O Globo, aliados de Flávio Bolsonaro interpretaram a declaração de Ciro como uma afronta a um entendimento informal segundo o qual o tucano manteria neutralidade na disputa presidencial.

Apesar do mal-estar, esses interlocutores não pretendem romper o acordo estadual. A avaliação atribuída ao grupo é que Ciro permanece como o nome mais competitivo da oposição para enfrentar o governador Elmano de Freitas, do PT.

Depois do episódio, Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher. Flávio pediu desculpas publicamente, e integrantes do partido tentaram reduzir a exposição do conflito.

A nova manifestação mostra que a divergência sobre o Ceará não foi encerrada. Ela também expõe uma dificuldade para a estratégia nacional de Flávio: preservar alianças estaduais com candidatos que não necessariamente apoiarão sua campanha presidencial.

Até a publicação, Ciro Gomes, Flávio Bolsonaro e o diretório do PL no Ceará não haviam divulgado resposta específica ao novo comentário de Michelle.