Donald Trump publicou na noite de domingo um vídeo gerado por inteligência artificial mostrando a ilha iraniana de Kharg sendo destruída. O ataque não aconteceu. O vice-presidente JD Vance afirmou depois que Trump estava “enviando uma mensagem” ao Irã.
A publicação veio poucas horas depois de um ataque americano real, mas contra outra ilha. Os EUA atingiram lançadores iranianos em Larak, próxima ao Estreito de Ormuz, que Washington afirma estarem ligados à capacidade de lançar minas marítimas. O Irã respondeu atacando bases americanas na Jordânia.
A diferença entre Larak e Kharg ajuda a entender o momento da guerra.
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Por que Kharg importa
Kharg abriga o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Antes da guerra, cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo bruto passavam pela ilha.
Atacar sua infraestrutura significaria atingir diretamente uma das principais fontes de receita de Teerã.
Trump já havia ameaçado Kharg antes. Em março, os EUA atacaram alvos militares na ilha, mas pouparam as instalações petrolíferas. Em junho, o presidente americano chegou a falar em tomar o local.
Por isso, o vídeo não parece apontar para um alvo aleatório. Trump mostrou destruída justamente uma infraestrutura que Washington até agora evitou atingir em grande escala.
Petróleo virou parte central da pressão
Os EUA não tentam apenas enfraquecer militarmente o Irã. Washington também ampliou sanções e mantém pressão sobre os portos iranianos para reduzir a capacidade de Teerã de vender petróleo e financiar o governo e suas forças militares.
Uma parcela importante do petróleo mundial passa pela região. Minas, drones, mísseis e ataques contra navios podem tornar a rota perigosa, encarecer seguros e elevar o preço da energia mesmo sem o Irã conseguir enfrentar militarmente os EUA em igualdade de condições.
É aí que as duas ilhas se conectam.
Em Larak, Washington tenta reduzir a capacidade iraniana de ameaçar Ormuz. Em Kharg, os Estados Unidos possuem a possibilidade de atingir diretamente a principal saída do petróleo iraniano.
Na prática, os dois lados tentam aumentar o custo econômico da resistência do adversário: os EUA pressionam as receitas do Irã; Teerã ameaça uma rota essencial para as exportações de energia de todo o Golfo.
Por que Kharg ainda não foi destruída
Porque um ataque desse tamanho também teria custos para Washington.
A destruição das instalações petrolíferas poderia retirar petróleo iraniano do mercado, provocar novas retaliações contra estruturas de energia no Golfo e pressionar ainda mais os preços internacionais.
Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar têm interesse em conter o Irã, mas também seriam diretamente atingidos por uma escalada que colocasse exportações de petróleo e gás em risco.
É essa limitação que torna o vídeo relevante. Trump mostrou uma capacidade que os EUA possuem, mas cujo uso poderia ampliar muito a guerra.
O que isso significa
O vídeo não mostrou uma batalha que aconteceu. Mostrou uma das ameaças que hoje fazem parte da negociação pela força entre Washington e Teerã.
O Irã tenta usar Ormuz para tornar seu isolamento economicamente caro para o restante do mundo. Os Estados Unidos respondem com bloqueios, sanções e a ameaça sobre a principal fonte de receita iraniana.
Kharg está exatamente no centro dessa disputa.



