O Pentágono informou a congressistas dos Estados Unidos que a limpeza das minas marítimas colocadas no Estreito de Ormuz pode levar cerca de seis meses, segundo relato publicado pela Associated Press. A informação foi repassada por autoridades do Departamento de Defesa em briefing sigiloso na Comissão de Serviços Armados da Câmara, em mais um sinal de que a crise no principal corredor energético do Golfo está longe de uma solução rápida.

A revelação amplia o peso estratégico de Ormuz num momento em que a retórica sobre cessar-fogo e reabertura parcial não se traduziu em normalização real do tráfego marítimo. Na mesma atualização, a AP relata que a sessão no Congresso deixou “mais perguntas do que respostas” entre parlamentares, que cobraram esclarecimentos sobre custos, estratégia e objetivos da guerra.

Briefing reforça cenário de crise longa

A nova estimativa do Pentágono dialoga com alertas que já vinham sendo feitos por autoridades marítimas e pelo mercado nas últimas semanas. Em 17 de abril, a Reuters informou que cerca de 20 embarcações chegaram a tentar a travessia após um anúncio de reabertura, mas acabaram interrompendo o movimento, enquanto empresas de navegação ainda buscavam garantias diante do risco de minas e de ameaças à segurança.

Dias depois, a Reuters relatou que ao menos 230 petroleiros carregados continuavam parados e sem destino definido dentro do Golfo, em meio a sucessivas idas e vindas sobre o status do estreito. A agência também informou que milhares de marítimos seguem afetados pela paralisação e pelo ambiente de incerteza na região.

Além disso, a tensão voltou a subir com a apreensão de dois navios porta-contêineres pelo Irã ao tentarem deixar o Golfo por Ormuz, episódio que reforçou a percepção de que, mesmo quando o estreito é descrito publicamente como “aberto”, a navegação continua sob alto risco.

Ormuz segue vital para o mercado global

A relevância econômica do estreito ajuda a explicar o impacto imediato de qualquer nova restrição. Segundo a Energy Information Administration, o fluxo de petróleo por Ormuz foi, em média, de 20 milhões de barris por dia em 2024, o equivalente a cerca de 20% do consumo global de líquidos de petróleo.

A EIA também afirma que, em 2024 e no primeiro trimestre de 2025, a passagem respondeu por mais de um quarto do comércio marítimo global de petróleo, por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e derivados e por aproximadamente um quinto do comércio global de gás natural liquefeito.

Os mercados asiáticos aparecem como os mais expostos a uma crise prolongada. De acordo com a agência americana, 84% do petróleo bruto e condensado e 83% do GNL que passaram por Ormuz em 2024 tiveram como destino a Ásia.

Petróleo continua sensível à crise

A persistência do impasse também continua pressionando o petróleo. A Reuters informou nesta quinta-feira que o Brent fechou em US$ 101,76 por barril e o WTI em US$ 92,82, com o mercado ainda reagindo à falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à disrupção continuada no transporte por Ormuz.

Com isso, a informação levada pelo Pentágono ao Congresso ganha peso muito além do campo militar. Se a remoção das minas realmente exigir meses de operação, Ormuz tende a permanecer no centro da instabilidade energética global, com efeitos diretos sobre fretes, seguros, fluxo de navios e preços internacionais do petróleo e do gás.