Palestinos realizaram na terça-feira (4) um funeral coletivo na Cidade de Gaza para 112 pessoas cujos restos mortais foram retirados dos escombros quase três anos após um ataque aéreo israelense no bairro de Sabra.

As 112 vítimas eram integrantes do clã Al-Hassayna/Abu Sharia, um grande grupo familiar com várias gerações. A Defesa Civil de Gaza informou que a operação acumulou 136 horas de buscas ao longo de quase duas semanas. Entre os restos recuperados estavam os de 40 crianças, 38 mulheres e sete pessoas com deficiência.

Após as orações, os restos mortais, cobertos por bandeiras palestinas, foram carregados pelas ruas e enterrados em um cemitério próximo. Familiares, moradores e sobreviventes acompanharam a cerimônia.

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Por que a recuperação demorou quase três anos

O ataque destruiu prédios residenciais em novembro de 2023, durante as primeiras semanas da guerra. O volume de escombros, a continuidade dos combates e a falta de equipamentos impediram que grande parte das vítimas fosse retirada na época.

A Associated Press informou que o cessar-fogo iniciado em outubro de 2025 permitiu o avanço das buscas em algumas áreas. A Reuters acrescentou que as equipes palestinas ainda conseguem trabalhar apenas nas zonas acessíveis fora do controle militar israelense.

A Defesa Civil afirmou que seus integrantes precisaram escavar entre concreto e ferragens, em parte com as próprias mãos. O órgão também pediu a entrada de máquinas pesadas e equipamentos adequados para continuar procurando pessoas desaparecidas sob os escombros.

Como os restos mortais foram identificados

Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil, afirmou que a identificação combinou evidências forenses e informações fornecidas por parentes. Roupas, marcas físicas, placas usadas em procedimentos ortopédicos e joias ajudaram no reconhecimento de algumas vítimas.

Autoridades palestinas afirmam que mais de 300 integrantes da família extensa morreram no ataque. A Reuters informou que não encontrou uma declaração militar israelense da época com a versão de Israel sobre o episódio específico e que o Exército israelense não respondeu ao novo pedido de comentário.