O Hamas anunciou nesta segunda-feira, 6 de julho, a dissolução de sua estrutura civil de governo em Gaza e disse estar pronto para transferir a administração do território a um comitê palestino tecnocrático, em uma tentativa de destravar um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos.

A medida atinge o órgão que supervisionava ministérios e parte da administração local no enclave. Segundo a Reuters, o grupo afirmou que ministérios e funcionários nomeados por ele permanecerão em atividade durante a transição, enquanto o Hamas ainda supervisiona segurança e policiamento em áreas de Gaza que seguem sob seu controle.

O anúncio foi apresentado como passo para a transferência de funções ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, conhecido pela sigla NCAG. O próprio comitê se define como um órgão palestino tecnocrático, transitório e apolítico, responsável por serviços públicos e administração civil em Gaza.

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A decisão, porém, não encerra o principal impasse do plano: o futuro militar do Hamas. Israel rejeitou a medida como insuficiente e afirmou que qualquer governo civil continuará submetido ao grupo enquanto ele mantiver armas.

O que o Hamas anunciou

O diretor do gabinete de mídia do governo administrado pelo Hamas, Ismail al-Thawabta, disse que o chefe do Comitê de Emergência Governamental renunciou e que o órgão foi dissolvido.

A estrutura funcionava como braço de supervisão da administração pública em Gaza. Na prática, o anúncio tenta separar a continuidade de serviços civis da permanência política do Hamas no governo do território.

A transição, segundo a formulação apresentada, seria feita para o NCAG, um comitê composto por palestinos e ligado ao plano de paz apoiado por Washington. A Casa Branca já havia tratado a formação do comitê como parte da segunda fase do plano de Trump para encerrar o conflito em Gaza.

Por que Israel contesta

A reação israelense se concentrou no ponto que segue fora do anúncio: as armas do Hamas.

O chanceler Gideon Saar afirmou que a disposição do grupo em abrir espaço para um governo tecnocrático busca evitar o próprio desarmamento. Para Israel, a implementação integral do plano depende de o Hamas deixar de exercer poder militar e político sobre Gaza.

O texto do plano prevê que Hamas e outras facções não tenham papel na governança do território, direta ou indiretamente. Também estabelece a destruição de infraestrutura militar e a desativação permanente de armas de grupos armados não estatais.

Por isso, a dissolução da estrutura civil é apenas uma parte da equação. O plano também envolve segurança, retirada israelense em etapas, entrada de ajuda, reconstrução e uma força internacional de estabilização.

O que é o NCAG

O NCAG, sigla em inglês para Comitê Nacional para a Administração de Gaza, é apresentado como órgão transitório para conduzir serviços públicos e administração civil no território.

A estrutura foi criada dentro do desenho político apoiado pelos Estados Unidos e opera sob supervisão do Board of Peace, órgão internacional previsto no plano. A proposta é que o comitê cuide da administração cotidiana até que a Autoridade Palestina passe por reformas e tenha condições de reassumir responsabilidades de governo.

Na prática, o comitê ainda depende de condições políticas, legais, financeiras e de segurança para exercer autoridade dentro de Gaza.

O que muda agora

O anúncio do Hamas cria uma sinalização política para pressionar a retomada do plano de paz. Ao dissolver o órgão civil, o grupo tenta mostrar disposição para uma transição administrativa.

Mas a mudança ainda não significa transferência completa de poder. Funcionários seguem em seus cargos, o Hamas mantém influência em áreas sob seu controle e o tema do desarmamento continua travando o processo.

O efeito imediato é diplomático: o gesto recoloca o plano de Gaza no centro da pressão internacional, mas não resolve sozinho quem controla a segurança, quem comanda as armas e em que momento Israel retiraria forças do território.