Ataques e disparos israelenses na Faixa de Gaza mataram ao menos quatro palestinos neste domingo (28), incluindo uma menina de 13 anos, segundo autoridades locais de saúde citadas pela Associated Press.
As mortes ocorrem em meio à fragilidade do cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas, que reduziu os combates mais intensos, mas não encerrou os episódios de violência no território.
O primeiro ataque atingiu um grupo de pessoas em Beit Lahiya, no norte de Gaza, deixando dois mortos e um ferido, segundo o Crescente Vermelho Palestino. Em outro episódio, no sul do território, um homem morreu em um ataque israelense, segundo profissionais do Hospital Nasser.
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A menina Eileen al-Farra, de 13 anos, morreu após ser atingida por estilhaços de disparos de tanque no sul de Gaza, também de acordo com o Hospital Nasser. Moradores relataram bombardeios de tanques e a presença de drones quadcopter sobre diferentes áreas da Faixa de Gaza.
O Exército israelense não respondeu imediatamente a todos os relatos citados pela AP, mas afirmou que um dos ataques teve como alvo um integrante do Hamas. Israel diz que suas operações em Gaza miram militantes que representariam ameaça ou responderiam a violações do cessar-fogo.
Cessar-fogo reduziu combates, mas não encerrou mortes
O cessar-fogo anunciado em outubro de 2025 diminuiu a intensidade da guerra aberta entre Israel e Hamas, mas segue sob pressão. Palestinos relatam novas vítimas quase diariamente, enquanto Israel e Hamas trocam acusações sobre violações da trégua.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 1.040 pessoas foram mortas no território desde o início do cessar-fogo. O órgão faz parte da administração local comandada pelo Hamas, mas seus registros de vítimas são tratados pela ONU e por especialistas independentes como uma base geralmente confiável para acompanhar o impacto humano da guerra.
Israel afirma que cinco de seus soldados morreram desde a entrada em vigor da trégua. A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas liderou um ataque no sul de Israel que matou cerca de 1.200 pessoas e levou 251 reféns. Desde então, a ofensiva israelense em Gaza deixou mais de 73 mil palestinos mortos, segundo autoridades de saúde do território.
Negociação trava sobre segurança e controle de Gaza
A continuidade dos ataques acontece enquanto mediadores tentam avançar para uma nova etapa do plano de cessar-fogo. Entre os pontos mais sensíveis estão o desarmamento do Hamas, a retirada de forças israelenses e o desenho de uma futura estrutura de segurança para Gaza.
Um dos impasses envolve a força policial ligada ao Hamas. O grupo quer que seus policiais sejam incorporados a uma nova estrutura de segurança no território, enquanto Israel rejeita qualquer papel para agentes vinculados ao Hamas. A falta de acordo nessa área mantém a trégua vulnerável a novos episódios de violência.
ONU aponta deslocamento e restrições humanitárias
A crise humanitária também segue longe de uma solução. Em relatório divulgado em 26 de junho, a OCHA, escritório humanitário da ONU, afirmou que a maior parte dos 2,1 milhões de moradores de Gaza permanece deslocada, sem acesso suficiente a serviços essenciais ou a padrões mínimos de vida.
O órgão também apontou que áreas de acesso restrito ocupam cerca de 65% da Faixa de Gaza, o que limita tanto a circulação de moradores quanto o trabalho de organizações humanitárias. Doenças de pele e diarreia aguda continuam se espalhando, impulsionadas pela superlotação e pelas más condições de água e saneamento.



