Os Estados Unidos não realizaram novos ataques contra o Irã no sábado (25), interrompendo uma sequência de 13 noites consecutivas de bombardeios. A ausência de uma nova ofensiva americana, porém, não impediu que a guerra abrisse outras frentes no Mar Vermelho e no Mar Cáspio.
Os houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, disseram ter lançado mísseis e drones contra instalações da petrolífera estatal Saudi Aramco nas cidades sauditas de Jizan e Yanbu. Separadamente, Teerã acusou a Ucrânia de atingir um navio comercial iraniano no Mar Cáspio.
Pausa americana não representa cessar-fogo
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O U.S. Central Command afirmou que o bloqueio naval contra navios que entram ou saem de portos iranianos continua “em pleno vigor”. Na atual fase da operação, o comando informou ter redirecionado 12 embarcações comerciais, desativado duas que não obedeceram às ordens e abordado outras duas.
Washington não anunciou um cessar-fogo nem declarou o encerramento da campanha militar. Questionado sobre a interrupção dos ataques, um alto funcionário do governo Donald Trump afirmou que o presidente mantém preferência por uma solução diplomática, mas espera que o Irã retorne às negociações de forma considerada séria pelos Estados Unidos.
A suspensão ocorre depois de quase duas semanas de ataques americanos contra instalações militares, depósitos de armas, sistemas de defesa aérea e estruturas utilizadas pelo Irã para ameaçar a navegação comercial.
Houthis dizem ter atacado instalações sauditas
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo utilizou mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones contra instalações ligadas à Saudi Aramco em Jizan e Yanbu, ambas na costa do Mar Vermelho.
Não houve confirmação pública da Aramco sobre danos nas instalações. Em Yanbu, dois mísseis dirigidos a estruturas petrolíferas foram interceptados, segundo informações divulgadas após o ataque.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita respondeu com ataques contra posições militares houthis na região de Hodeidah, no Iêmen. Em comunicado, a coalizão afirmou que os alvos eram utilizados para ameaçar embarcações comerciais e disse que o porto de Hodeidah não foi atingido.
A retomada dos confrontos aumenta o risco de colapso da trégua que havia reduzido os combates da guerra civil do Iêmen desde 2022. Os houthis também anunciaram um bloqueio contra navios ligados à Arábia Saudita e ameaçaram transformar instalações petrolíferas do país em alvos.
Mar Vermelho vira segunda rota sob ameaça
Yanbu é o principal porto saudita para exportação de petróleo pelo Mar Vermelho. A cidade está conectada por oleoduto aos campos produtores do leste da Arábia Saudita e permite que parte das exportações contorne o Estreito de Ormuz.
Essa alternativa ganhou importância após as restrições impostas pelo Irã à navegação em Ormuz. Os ataques no Mar Vermelho indicam que a guerra pode afetar simultaneamente duas das principais rotas utilizadas no transporte internacional de petróleo.
Navios que evitam o estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, precisam seguir por trajetos mais longos ao redor da África, elevando custos de transporte, seguro e entrega das cargas.
Irã acusa Ucrânia de ataque no Cáspio
O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou a Ucrânia de atacar um navio comercial iraniano no Mar Cáspio. Segundo Teerã, uma explosão matou um tripulante e feriu outro.
O encarregado de negócios ucraniano foi convocado pelo governo iraniano para receber um protesto formal. Teerã classificou o episódio como um ato hostil e acusou Kiev de tentar expandir para o Cáspio a guerra travada contra a Rússia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou separadamente que forças ucranianas atingiram um navio militar russo e embarcações utilizadas para transportar cargas militares relacionadas ao Irã.
Não há confirmação pública de que o navio comercial citado pelo governo iraniano seja uma das embarcações mencionadas por Zelensky.
O presidente ucraniano também acusou a Rússia de fornecer ao Irã imagens de satélite de instalações militares americanas e de países do Golfo. Segundo Zelensky, satélites russos observaram nos dias 19 e 20 de julho duas bases no Bahrain, uma na Jordânia e outra no Kuwait.



