A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou nesta quarta-feira (15) fechar outros corredores de exportação que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados, elevando o risco de que a crise concentrada no Estreito de Ormuz se espalhe para outras rotas marítimas estratégicas.
A declaração foi divulgada pela agência estatal iraniana IRNA após os Estados Unidos retomarem o bloqueio naval contra embarcações que entram ou saem de portos e áreas costeiras do Irã. A Guarda Revolucionária afirmou que as exportações regionais de energia seriam compartilhadas por todos ou negadas a todos.
Pressão se estende para além de Ormuz
O comunicado iraniano não especificou quais seriam os outros corredores ameaçados. Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, porém, passou a ocupar o centro das preocupações após uma declaração separada de um dirigente do movimento houthi do Iêmen.
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Mohammed al-Farah, integrante do bureau político do Ansarullah, afirmou na segunda-feira (13) que as forças do grupo estavam preparadas para fechar Bab el-Mandeb caso os ataques sauditas contra o Iêmen continuassem. Segundo ele, Bab el-Mandeb e Ormuz poderiam ser fechados em uma “aliança operacional” caso a situação regional se agravasse.
A declaração não representa uma confirmação de que o estreito tenha sido fechado ou de que uma operação contra navios tenha começado. Também não há registro público de uma ordem direta de Teerã para que os houthis interrompam a circulação na rota.
Bloqueio dos EUA não atinge todo o tráfego regional
O Comando Central dos Estados Unidos informou que o bloqueio foi retomado às 16h do horário da costa leste americana de terça-feira (14), 17h de Brasília.
Segundo o CENTCOM, a operação é direcionada a navios que estejam entrando ou saindo de portos e áreas costeiras iranianas. O comando afirmou que continuará apoiando o trânsito de embarcações que não violem o bloqueio, o que significa que a medida não proíbe automaticamente toda a circulação pelas águas da região.
A retomada do cerco ocorreu em meio a novos ataques americanos contra alvos militares iranianos próximos ao Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária, por sua vez, afirmou que Ormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as ações dos Estados Unidos.
Por que Bab el-Mandeb importa
Bab el-Mandeb é uma das principais passagens entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. Navios que cruzam o estreito seguem pelo Mar Vermelho em direção ao Canal de Suez.
Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos mostram que aproximadamente 5,4 milhões de barris diários de petróleo e derivados passaram por Bab el-Mandeb no primeiro trimestre de 2026.
O Estreito de Ormuz, por sua vez, transporta cerca de um quarto do petróleo comercializado por via marítima no mundo, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito e fertilizantes.
Impacto para o Brasil
Uma interrupção simultânea em Ormuz e Bab el-Mandeb poderia obrigar navios a seguir por rotas mais longas, incluindo o contorno do sul da África. Esse tipo de desvio aumenta o consumo de combustível, o tempo das viagens, os custos operacionais e os preços dos fretes marítimos.
Para o Brasil, os efeitos podem aparecer de forma indireta por meio da cotação internacional do petróleo, dos custos de importação, dos seguros marítimos, do dólar e das expectativas de inflação.
A ameaça, no entanto, não significa aumento automático dos combustíveis no mercado brasileiro. A dimensão do impacto dependerá de eventuais ataques, do nível real de interrupção das rotas, da duração da crise e do comportamento dos preços internacionais.



