Os Estados Unidos concluíram na noite de terça-feira (21) a 11ª rodada consecutiva de ataques contra o Irã, com uma operação direcionada a hangares de aeronaves, depósitos de drones, centros de operações militares e estruturas ligadas às forças marítimas iranianas.

O Comando Central dos Estados Unidos informou que a ofensiva começou às 20h, no horário de Brasília, e foi declarada concluída às 21h15. Segundo o CENTCOM, também foram atingidas instalações de logística militar.

O comando americano afirmou que a operação busca reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O CENTCOM atribui às forças iranianas mais de 30 ataques contra navios comerciais nos últimos três meses.

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A conclusão da rodada mais recente não representa o encerramento da campanha militar. Os Estados Unidos não anunciaram cessar-fogo, suspensão das ofensivas nem desistência de novos ataques.

Bombardeios alcançam diferentes regiões do Irã

As defesas aéreas iranianas foram ativadas nas proximidades de Teerã, enquanto a mídia estatal do país relatou explosões nas províncias de Bushehr, Azerbaijão Oriental, Hamadã, Hormozgan, Khuzistão e Sistão-Baluchistão.

O registro de explosões em Bushehr não significa que a usina nuclear localizada na província tenha sido atingida. Até a publicação, não havia confirmação de ataque contra a instalação nuclear.

O CENTCOM não divulgou a quantidade total de alvos, os armamentos utilizados, possíveis vítimas nem uma avaliação independente dos danos provocados pela 11ª rodada.

Irã anuncia ataques contra estruturas americanas

As Forças Armadas do Irã afirmaram ter lançado novas ondas de mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia.

Em um balanço divulgado pela Press TV, emissora estatal iraniana, a Guarda Revolucionária alegou ter atingido radares, sistemas de defesa aérea, uma bateria Patriot, hangares de drones e estruturas de comunicação. O Exército iraniano também afirmou ter atacado bases no Kuwait com drones.

Essas alegações sobre equipamentos destruídos e danos a bases americanas não foram confirmadas de forma independente. A mídia estatal representa a versão oficial iraniana sobre as operações.

A Jordânia confirmou que suas defesas derrubaram cinco drones provenientes do Irã durante a madrugada e o início da manhã de terça-feira. Horas depois, o país informou ter interceptado outros três mísseis iranianos.

Segundo as Forças Armadas jordanianas, os episódios não deixaram vítimas nem causaram danos materiais. Equipes militares foram enviadas aos locais onde os destroços caíram.

A Jordânia já havia interceptado quatro mísseis iranianos na semana anterior, depois de Teerã anunciar uma ofensiva contra uma base utilizada pelas forças americanas.

Ormuz continua no centro da ofensiva

A 11ª rodada mantém o Estreito de Ormuz como principal justificativa pública dos Estados Unidos para os ataques. A passagem marítima concentra parte relevante das exportações de petróleo e gás dos países do Golfo.

Apesar da sequência de ofensivas americanas contra capacidades marítimas iranianas, a circulação comercial permanece reduzida e sujeita a ataques, desvios de rota e alertas de segurança.

A pressão também se estendeu ao mar Vermelho depois que os houthis ameaçaram navios ligados à Arábia Saudita. O movimento ocorre após o Irã ameaçar ampliar o bloqueio para outras rotas marítimas estratégicas. Com isso, o conflito passou a afetar simultaneamente Ormuz e Bab el-Mandeb, duas passagens importantes para o transporte mundial de energia e mercadorias.

Diplomacia continua sem trégua

O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, viajou ao Paquistão e se reuniu com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o chefe das Forças Armadas paquistanesas.

O Paquistão reiterou sua disposição de mediar uma nova trégua, mas os contatos ainda não produziram um acordo. Donald Trump afirmou que os Estados Unidos não têm interesse em uma reunião até que o Irã esteja disposto a negociar de forma considerada significativa por Washington.

Enquanto as negociações permanecem paradas, o Pentágono estima que a guerra já tenha custado US$ 37 bilhões aos Estados Unidos e solicitou outros US$ 67 bilhões para financiar as operações e recompor estoques militares.

Trump também voltou a ameaçar uma área próxima à chamada Pickaxe Mountain, instalação subterrânea perto de um dos principais centros iranianos de enriquecimento de urânio. Autoridades militares iranianas afirmaram que um ataque contra instalações nucleares seria tratado como uma ampliação da guerra.