Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo para encerrar a guerra, suspender o bloqueio americano contra portos iranianos e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. A assinatura formal está prevista para sexta-feira, na Suíça, segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador nas negociações.

A informação foi divulgada pela Reuters. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo com a República Islâmica do Irã estava “completo” e disse que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto na sexta-feira. Trump também declarou ter ordenado o fim do bloqueio americano contra portos iranianos.

O anúncio representa a maior sinalização de desescalada desde o início da guerra entre os dois países, mas ainda não encerra todos os pontos de tensão. Os termos precisos do pacto não foram divulgados integralmente, e autoridades envolvidas nas negociações indicam que um acordo mais amplo deve ser discutido durante um período de cessar-fogo de 60 dias.

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O que foi anunciado

Segundo Sharif, o pacto prevê a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. Esse ponto é sensível porque a frente libanesa vinha sendo um dos principais entraves nas conversas, em meio aos ataques entre Israel e o Hezbollah.

Trump afirmou que a reabertura de Ormuz permitirá a retomada do fluxo de petróleo pela rota. A reação dos mercados foi imediata: os preços do petróleo caíram após o anúncio, em sinal de alívio com a possibilidade de retomada do tráfego marítimo pela região.

Ainda assim, a implementação do acordo depende da assinatura formal, da retirada efetiva das medidas militares e da capacidade das partes de manter o cessar-fogo até a próxima fase da negociação.

Sanções e programa nuclear ficam para nova etapa

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que um acordo mais amplo será negociado durante o período de 60 dias. Essa etapa deve incluir temas como alívio de sanções e o futuro do programa nuclear iraniano.

Uma autoridade iraniana disse à Reuters que o rascunho do acordo prevê a liberação de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados e o compromisso de Teerã de não produzir nem adquirir armas nucleares. A mesma fonte afirmou que o Irã aceitaria manter o status atual do programa nuclear, sem ampliar o enriquecimento de urânio nem expandir instalações nucleares até a conclusão de um acordo final.

Do lado americano, uma autoridade afirmou que o pacto deve levar ao desmonte do programa nuclear iraniano, incluindo a destruição e remoção do estoque de urânio altamente enriquecido. O Irã, por sua vez, nega buscar uma bomba nuclear.

Israel fica fora do acordo

Apesar do avanço diplomático entre Washington e Teerã, Israel não participou do pacto e ainda não havia reagido imediatamente ao anúncio. O governo israelense tem defendido liberdade de ação militar no Líbano, enquanto o Irã exige um cessar-fogo completo na região como parte central de suas condições.

A tensão ficou evidente no domingo, quando Israel realizou um ataque nos subúrbios ao sul de Beirute contra alvos que disse serem ligados ao Hezbollah. O ataque foi criticado tanto pelo Irã quanto por Trump, que afirmou que a ofensiva não deveria ter ocorrido em um momento em que um acordo de paz estava próximo.

Esse é um dos principais pontos de risco para a execução do pacto. Mesmo que EUA e Irã avancem na assinatura, novas ações no Líbano podem pressionar o cessar-fogo e testar a capacidade de Washington de conter aliados regionais.

Por que Ormuz importa

O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Por ali circula parte relevante do petróleo transportado por via marítima no mundo, o que transforma qualquer bloqueio ou ameaça à navegação em fator direto de pressão sobre preços globais de energia.

Durante a guerra, o fechamento efetivo da rota elevou o risco sobre o mercado de petróleo e pressionou expectativas de inflação em várias economias. A reabertura anunciada por Trump reduz, ao menos no curto prazo, o temor de interrupção prolongada no fornecimento.

O alívio, porém, não elimina o risco. A navegação depende de segurança marítima, retirada de bloqueios, avaliação de seguradoras e estabilidade militar na região. Um acordo anunciado não significa normalização imediata das rotas comerciais.

Impacto para o Brasil

Para o Brasil, o efeito mais relevante passa por petróleo, combustíveis, dólar e inflação. Uma reabertura segura de Ormuz tende a aliviar a pressão sobre o preço internacional do petróleo, o que pode reduzir parte do risco sobre combustíveis e fretes.

Esse impacto, porém, depende da duração do cessar-fogo e da confiança do mercado na execução do acordo. Se houver novo ataque no Líbano, resistência interna no Irã ou desacordo sobre sanções e programa nuclear, a queda inicial do petróleo pode ser revertida.

O acordo também interessa à diplomacia brasileira porque reduz, por ora, o risco de uma escalada mais ampla no Oriente Médio. Ainda assim, a negociação está longe de resolver todas as disputas entre Washington, Teerã, Israel e os grupos alinhados ao Irã na região.

O que observar agora

O próximo ponto decisivo será a assinatura prevista para sexta-feira, na Suíça. Até lá, os sinais mais importantes serão a reação de Israel, a situação no Líbano, a movimentação naval perto de Ormuz e qualquer detalhamento oficial sobre sanções e programa nuclear.

Se a assinatura ocorrer como anunciado, a guerra entra em uma nova fase: menos militar, mas ainda altamente instável. O cessar-fogo de 60 dias será o teste real para saber se o anúncio de paz pode virar um acordo duradouro ou apenas uma pausa em uma crise maior.