Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos no sul do Irã nesta segunda-feira (25)

Enquanto isso, negociadores iranianos participavam de conversas em Doha sobre um possível acordo para encerrar a guerra. No mesmo dia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington dará chance à diplomacia, mas poderá lidar com Teerã de “outra forma” se as negociações fracassarem.

Segundo a Reuters, os ataques atingiram alvos que incluíam barcos que tentavam instalar minas e locais de lançamento de mísseis. O Comando Central dos EUA descreveu as ações como defensivas e afirmou que elas foram realizadas para proteger tropas americanas de ameaças atribuídas a forças iranianas.

A fala de Rubio reforçou o tom de pressão. Em Nova Délhi, ele disse que os EUA darão à diplomacia todas as chances antes de considerar alternativas. O secretário afirmou que há uma proposta considerada “bastante sólida” sobre a mesa, envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz e uma negociação real, significativa e com prazo definido sobre a questão nuclear iraniana.

O ponto central da crise é que a negociação não ocorre em um ambiente de desescalada plena. Washington mantém a porta aberta para um acordo, mas continua usando força militar enquanto tenta pressionar o Irã a aceitar termos sobre Ormuz, urânio enriquecido e segurança marítima.

Ataques ocorrem durante conversas em Doha

Os ataques americanos aconteceram enquanto o principal negociador iraniano e o ministro das Relações Exteriores do Irã estavam em Doha para conversas com o primeiro-ministro do Catar. As discussões tratam de um possível acordo com os EUA para encerrar a guerra de três meses.

A pauta envolve o Estreito de Ormuz, o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido e a eventual liberação de recursos iranianos congelados. O presidente do Banco Central do Irã também participou das conversas, em sinal de que a dimensão econômica é parte do pacote em discussão.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que temas nucleares só seriam negociados depois de um acordo-quadro. Ele também disse que um eventual acordo não contém detalhes específicos sobre a gestão do Estreito de Ormuz.

Isso indica que, apesar das conversas, os pontos mais sensíveis seguem em disputa. De um lado, os EUA querem garantias sobre o programa nuclear e a navegação em Ormuz. Do outro, o Irã tenta condicionar avanços a um acordo mais amplo, com impacto sobre sanções e recursos bloqueados.

Trump diz que conversas avançam, mas ameaça novos ataques

Donald Trump afirmou em publicação no Truth Social que as conversas com o Irã estavam avançando, mas também alertou para novos ataques caso elas fracassem. O presidente americano disse que haverá um grande acordo para todos ou não haverá acordo.

A mensagem amplia a pressão sobre Teerã e reforça a estratégia americana de negociar sob ameaça militar. A Casa Branca tenta apresentar a diplomacia como caminho principal, mas deixa claro que não descarta novas ações caso considere que o Irã está bloqueando uma solução.

A AP informou que os ataques foram definidos pelos EUA como ações de “autodefesa”. O porta-voz do Comando Central, capitão Tim Hawkins, disse que as forças americanas continuam defendendo suas tropas com contenção durante o cessar-fogo em curso.

Essa combinação de cessar-fogo, ataques pontuais e negociação cria um cenário instável. As partes ainda conversam, mas qualquer incidente militar pode alterar o cálculo político e dificultar um acordo.

Ormuz segue no centro da crise

O Estreito de Ormuz continua sendo o principal eixo econômico e estratégico da negociação. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo costuma passar pela rota.

Desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, apenas algumas dezenas de embarcações têm passado pelo estreito, contra um fluxo anterior de 125 a 140 navios por dia, segundo a agência. A crise elevou custos de combustível, fertilizantes e alimentos, embora o petróleo tenha recuado mais de 4% nesta segunda-feira diante do otimismo sobre um possível acordo.

Para os mercados, qualquer sinal sobre Ormuz tem efeito imediato. Uma reabertura mais ampla poderia aliviar preços e reduzir incertezas no transporte marítimo. Uma nova escalada, por outro lado, reacenderia o risco sobre energia, frete e cadeias globais de suprimentos.

Impacto para o Brasil

Para o Brasil, o ponto mais importante é o efeito indireto sobre energia, fertilizantes e inflação. O país não está no centro da negociação, mas sente impactos quando a instabilidade em Ormuz pressiona petróleo, frete marítimo e custos de insumos agrícolas.

O Brasil depende de fertilizantes importados para parte relevante da produção agrícola, e choques no transporte global podem afetar custos de alimentos. Além disso, oscilações no petróleo tendem a repercutir em combustíveis e expectativas de inflação.

A nova rodada de ataques mostra que a crise entre EUA e Irã ainda não entrou em uma fase segura de acomodação diplomática. Mesmo com conversas em Doha e sinais de possível acordo, Washington continua usando força militar para pressionar Teerã, enquanto Ormuz permanece como peça central da negociação.