A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem causado um impacto mais forte no mercado global de gás natural do que no de petróleo, segundo a Reuters. Ainda assim, no caso do Brasil, o efeito tende a aparecer de forma mais sensível no petróleo e nos combustíveis do que no gás.
A diferença está na forma como cada mercado funciona e na estrutura de abastecimento brasileira. De acordo com a Reuters, o gás natural tem uma cadeia menos flexível que a do petróleo, é mais difícil de armazenar e costuma ter recuperação mais lenta em caso de disrupção. A reportagem também informou que os ataques iranianos desativaram 17% da capacidade de exportação de GNL (Gás Natural Liquefeito) do Catar, aumentando a pressão sobre o mercado global de gás.
Segundo a agência, os preços do gás na Europa e na Ásia reagiram com mais força do que os do petróleo. Isso torna o choque mais duro para regiões fortemente dependentes de gás natural liquefeito importado.
No Brasil, porém, a estrutura de oferta é mais diversificada. O Anuário Estatístico 2025 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registra importações de gás natural tanto por GNL quanto por gasoduto da Bolívia. O documento informa 5,1 bilhões de metros cúbicos de importações bolivianas, além de registrar as entradas de GNL.
O mesmo desenho aparece no Caderno de Gás Natural da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que trata a oferta brasileira com base em três pilares: gás nacional, gás importado da Bolívia e GNL importado. Essa composição reduz a exposição direta do país a um único fornecedor externo de gás.
Já no petróleo, o impacto é mais direto. A Reuters informou que o barril do Brent subiu para US$ 104,13 e o WTI para US$ 92,37 em meio à persistência da disrupção de oferta. A agência também lembrou que o Estreito de Ormuz é rota vital para cerca de um quinto do petróleo e do GNL globais.
Com isso, o canal mais sensível para o Brasil segue sendo o petróleo e seus derivados, especialmente por meio da alta de preços e da volatilidade internacional. No caso do gás, o país continua sujeito ao ambiente global, mas sua estrutura de suprimento indica uma vulnerabilidade mais diluída do que a observada em regiões mais dependentes do LNG do Golfo.
Em outras palavras, a guerra pressiona o gás de forma mais intensa no mundo, mas, no caso brasileiro, o efeito mais imediato e perceptível tende a passar pelo petróleo.



