O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta do Irã a uma proposta americana para retomar negociações de paz, em mais um sinal de que o impasse no Estreito de Ormuz segue longe de uma solução diplomática.

A resposta iraniana havia sido enviada aos EUA por meio do Paquistão, que atua como mediador. Segundo informações divulgadas pela imprensa estatal e semioficial iraniana, Teerã condicionou o avanço das negociações a pontos como compensação por danos de guerra, reconhecimento de sua soberania sobre o estreito, fim do bloqueio naval americano, retirada de sanções e garantia de que novos ataques não ocorrerão.

Trump reagiu nas redes sociais dizendo que não gostou da resposta e classificou a proposta como “totalmente inaceitável”. A declaração reduziu as expectativas de um acordo rápido e reforçou a pressão sobre o mercado de energia, já afetado pela paralisação parcial do tráfego marítimo em Ormuz.

Ormuz volta ao centro da crise

O Estreito de Ormuz é um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia. Antes da guerra, a passagem concentrava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo. Com a escalada entre EUA e Irã, a rota passou a ser usada como instrumento de pressão militar, econômica e diplomática.

A proposta iraniana, segundo a apuração divulgada até agora, tenta vincular qualquer avanço nas negociações à segurança da navegação no Golfo e à suspensão de medidas americanas contra Teerã. Já Washington busca encerrar os combates antes de discutir temas mais amplos, incluindo o programa nuclear iraniano.

O impasse ocorre mesmo após semanas de tentativas de mediação. Apesar de um período recente de relativa calma, drones hostis foram detectados em países do Golfo, e autoridades regionais voltaram a tratar a segurança marítima como tema urgente.

Petróleo reage ao impasse

A falta de acordo entre EUA e Irã voltou a mexer com os preços do petróleo. O Brent subiu mais de US$ 3 por barril, enquanto o WTI também avançou, em meio à percepção de que a normalização do fluxo por Ormuz pode demorar mais do que o esperado.

O movimento reforça uma preocupação que vai além do Oriente Médio. Uma crise prolongada na região pode pressionar combustíveis, fretes e cadeias produtivas em diferentes países. Para o Brasil, o efeito é misto: o país pode se beneficiar de preços internacionais mais altos como produtor e exportador de petróleo, mas também fica exposto ao impacto sobre derivados, inflação e custos logísticos.

Há ainda uma conexão direta com o comércio brasileiro. Segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, um cargueiro com bandeira do Panamá e destino ao Brasil passou pelo Estreito de Ormuz usando uma rota designada pelas Forças Armadas iranianas. O episódio mostra que a crise não está restrita ao campo diplomático: ela já interfere na circulação de embarcações ligadas a rotas comerciais internacionais.

China vira peça central

A próxima frente de pressão pode passar por Pequim. Trump deve viajar à China nesta semana, e autoridades americanas indicaram que o Irã estará entre os temas da conversa com o presidente Xi Jinping.

A China tem peso estratégico no caso por manter relações com Teerã e por ser uma das grandes consumidoras do petróleo iraniano. Por isso, parte do mercado observa se Pequim poderá usar sua influência para pressionar por um cessar-fogo mais amplo ou por uma solução que reduza a interrupção no Estreito de Ormuz.

Essa camada diplomática torna o impasse mais complexo. A crise deixou de ser apenas uma disputa direta entre Washington e Teerã e passou a envolver o equilíbrio entre energia, segurança marítima, sanções e influência chinesa no Oriente Médio.

A crise também reforça a importância de acompanhar o tema como uma disputa de longo alcance. Ormuz é uma rota distante do Brasil, mas seus efeitos chegam por meio do preço do petróleo, do dólar, dos fretes marítimos e da percepção global de risco.