Uma das partes mais profundas da investigação do Banco Master continua fora do alcance público: mais de 30 quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas a pedido da Polícia Federal.

O material vai além do relatório do Coaf que expôs pagamentos e provocou uma disputa aberta dentro do Supremo Tribunal Federal. As quebras permitem acompanhar contas, empresas, intermediários e destinatários para reconstruir com maior profundidade por onde o dinheiro circulou.

Entre os alvos já conhecidos estão estruturas ligadas ao entorno de Daniel Vorcaro e de seu cunhado Fabiano Zettel, como a Super Empreendimentos e a Moriah Asset.

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O problema é que, meses depois da autorização das medidas, a PF ainda não apresentou ao STF o relatório consolidado com a análise dessas movimentações. É essa pendência que mantém o material fechado.

O que abriu, e o que ficou fechado

A diferença ganhou peso depois que o presidente do STF, Edson Fachin, cobrou a retirada ampla dos sigilos do caso Master.

Mendonça inicialmente tornou públicos 15 procedimentos. Moraes e a PGR questionaram a abertura parcial, e Fachin deu 24 horas para que fossem liberadas as demais peças, preservando apenas diligências em andamento cuja divulgação pudesse comprometer a investigação.

A abertura posterior revelou outros núcleos, inclusive a investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, que envolve Flávio Bolsonaro e recursos negociados com Vorcaro.

As mais de 30 quebras bancárias e fiscais, porém, permaneceram reservadas. A justificativa é que a PF ainda não concluiu a análise financeira.

Um prazo que alcança a eleição

Há outro elemento que torna a demora politicamente relevante.

Em agosto, a PF pediu mais 60 dias para continuar o INQ 5.026. André Mendonça concedeu a prorrogação em 25 de agosto.

Esse período adicional alcança o fim de semana de 24 e 25 de outubro. O eventual segundo turno da eleição presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro disputa a Presidência e aparece em uma frente já aberta da investigação do Master. A Quaest divulgada em 14 de setembro mostrou Flávio com 42% e Lula com 40% em um cenário de segundo turno, resultado considerado empate técnico. Na rodada anterior, ambos tinham 41%.

Mendonça chegou ao STF em 2021 por indicação do então presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

O calendário não impede a PF de concluir o trabalho antes dos 60 dias. Mas o prazo concedido permite que o principal inquérito atravesse o primeiro turno e permaneça em andamento até o fim de semana do segundo.

Enquanto isso, o material capaz de mostrar com mais profundidade o caminho financeiro do Master continua fechado.

A pergunta que permanece é objetiva: quando a PF recebeu todos os dados das mais de 30 quebras e por que, quase seis meses depois de as medidas serem autorizadas, a análise consolidada ainda não chegou aos autos?