Donald Trump disse nesta quarta-feira, 15 de abril, que pediu ao presidente chinês Xi Jinping que a China não forneça armas ao Irã. No mesmo dia, especialistas independentes ligados à ONU pediram que os Estados suspendam transferências de armas a Israel após os bombardeios israelenses de 8 de abril no Líbano. A coincidência dos dois movimentos expôs uma pressão externa dividida em duas frentes paralelas no Oriente Médio.

A declaração de Trump foi dada em entrevista à Fox Business. Segundo a Reuters, o presidente americano afirmou ter escrito a Xi e recebido como resposta que Pequim não estaria armando Teerã. A fala veio poucos dias depois de a própria Reuters reportar, com base em informações de inteligência dos Estados Unidos citadas pela CNN, que a China estaria se preparando para enviar ao Irã sistemas antiaéreos portáteis, os chamados MANPADS, possivelmente por rotas indiretas para mascarar a origem do carregamento.

Do outro lado da mesma agenda regional, especialistas ligados ao sistema de direitos humanos da ONU publicaram um comunicado condenando o bombardeio israelense de 8 de abril no Líbano como “agressão ilegal” e “campanha de bombardeio indiscriminada”. Segundo o escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, o ataque ocorreu poucas horas depois de um cessar-fogo mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã. A Al Jazeera, ao repercutir o comunicado, destacou que os especialistas pediram a suspensão das transferências de armas a Israel enquanto houver evidências críveis de violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos.

A pressão internacional sobre Israel ganhou peso político adicional porque o gabinete de segurança israelense marcou para o mesmo 15 de abril uma reunião para discutir um possível cessar-fogo no Líbano. Enviados de Israel e do Líbano tiveram em Washington, na véspera, conversas diretas raras, em meio ao avanço de esforços diplomáticos para conter a escalada.

Segundo a Reuters, a guerra no Líbano já matou mais de 2.000 pessoas e deslocou 1,2 milhão desde o início da ofensiva. Na mesma cobertura, a agência relata que o Ministério da Saúde libanês atribui aos ataques de 8 de abril a morte de 357 pessoas, entre elas 71 mulheres e 30 crianças, enquanto Israel afirma ter atingido mais de 250 combatentes do Hezbollah.

Embora os dois movimentos tenham ocorrido no mesmo dia e dentro do mesmo ambiente de crise regional, a própria Reuters registra que autoridades americanas não tratam as negociações sobre o Irã e as discussões sobre o Líbano como um único processo formal. Esse ponto é central para entender o alcance: o que há, neste momento, é uma simultaneidade política relevante, não uma confirmação de que Washington tenha amarrado oficialmente os dois dossiês numa mesma mesa.

O resultado é um quadro em que a pressão internacional se distribui em sentidos opostos: de um lado, Trump tenta conter qualquer reforço militar chinês ao Irã; de outro, especialistas ligados à ONU pedem freio no fluxo de armas para Israel. Para o Oriente Médio, o recado de 15 de abril foi o de uma crise que continua produzindo novos focos de constrangimento diplomático mesmo quando surgem sinais de negociação.