A vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal, afirmou que o risco de uma agressão militar dos Estados Unidos contra a ilha está aumentando enquanto as negociações entre Havana e Washington seguem sem avanço relevante. A declaração foi dada em uma audiência legislativa no Capitólio Nacional, em Havana.

Vidal acusou os Estados Unidos de fabricar pretextos para apresentar Cuba como ameaça à segurança nacional americana e justificar uma possível agressão. A fala eleva o tom da reação cubana em meio à pressão do governo Donald Trump contra Havana.

Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou estar confiante de que o diálogo iniciado por volta de março poderia ter um “bom resultado”. Autoridades cubanas, porém, dizem que o canal segue aberto, mas sem progresso significativo, e afirmam ter razões para duvidar da seriedade do governo dos EUA.

A nova fala de Vidal ocorre depois de uma série de movimentos que ampliaram a crise entre os dois países. Os EUA já haviam acusado formalmente Raúl Castro em um caso ligado ao abatimento de aviões civis em 1996, enquanto autoridades cubanas passaram a tratar a pressão americana como possível preparação de pretexto contra o regime.

O ponto central é que as conversas continuam existindo, mas a crise avança em paralelo. Havana tenta enquadrar a pressão dos EUA como ameaça militar. Washington, por sua vez, apresenta a ofensiva como questão de segurança nacional e pressão contra a liderança cubana.

Para o Brasil, não há impacto direto claro neste momento. A relevância é principalmente diplomática: se a tensão crescer, o tema pode chegar a fóruns regionais e internacionais, como OEA e ONU, onde Brasília costuma ser cobrada a se posicionar sobre sanções, soberania e intervenção externa.