Israel anunciou nesta quinta-feira, 9 de abril, que pretende iniciar negociações diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, em um movimento que muda o eixo diplomático da guerra, mas não reduz automaticamente a tensão no terreno. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as conversas teriam como foco o desarmamento do Hezbollah e a construção de relações pacíficas entre os dois países.
O anúncio veio um dia depois do bombardeio mais letal da fase atual do conflito. Segundo a Associated Press, os ataques israelenses de quarta-feira deixaram mais de 300 mortos no Líbano, além de mais de 1.100 feridos, aprofundando a pressão internacional por algum tipo de contenção militar antes da abertura de qualquer canal político.
O problema é que a negociação já começou dividida sobre sua condição básica de existência. Pouco antes da fala de Netanyahu, o presidente libanês Joseph Aoun afirmou que a única saída passa por um cessar-fogo entre Israel e Líbano, seguido de negociações diretas. Em paralelo, um alto funcionário libanês disse à Reuters que Beirute trabalha por um cessar-fogo temporário separado para permitir negociações mais amplas, com mediação e garantia dos Estados Unidos.
Do lado israelense, o sinal é o oposto. A Axios informou, com base em uma autoridade israelense, que não há cessar-fogo no Líbano mesmo com a abertura das negociações, o que reforça a percepção de que Israel quer negociar sob pressão militar, e não depois de uma pausa formal nas hostilidades. A Associated Press informou ainda que as conversas são esperadas para a próxima semana, em Washington, embora a composição final da representação libanesa ainda não estivesse clara.
O Hezbollah já reagiu rejeitando negociações diretas com Israel. O deputado Ali Fayyad afirmou que o grupo considera o cessar-fogo uma pré-condição para qualquer avanço e defendeu também a retirada de tropas israelenses de território libanês e o retorno dos deslocados. Na prática, isso transforma o anúncio de Netanyahu em um movimento politicamente forte, mas ainda sem consenso mínimo entre os atores centrais do conflito.
O impasse ganhou peso adicional entre mediadores e aliados ocidentais. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que a trégua entre Estados Unidos e Irã deveria se estender ao Líbano, enquanto a chanceler britânica Yvette Cooper classificou os bombardeios israelenses como “profundamente danosos”. A leitura que emerge nesta quinta é clara: há uma janela diplomática aberta, mas ela pode travar já na largada se Israel, Líbano e Hezbollah não concordarem nem mesmo sobre a ordem dos próximos passos.



