A trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase de forte instabilidade nesta terça-feira, 8 de abril, depois que Israel lançou a maior ofensiva contra o Líbano desde a abertura desse front da guerra. Segundo a Reuters, mais de 100 alvos do Hezbollah foram atingidos em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país, enquanto autoridades libanesas relataram dezenas de mortos e centenas de feridos.
O dado mais sensível é que os bombardeios aconteceram justamente quando a trégua entre Washington e Teerã ainda tentava se firmar. Netanyahu afirmou que o cessar-fogo com o Irã não inclui o Líbano, mas o premiê paquistanês Shehbaz Sharif, mediador do acordo, havia dito que a pausa valeria “em todos os lugares”, inclusive no território libanês. A própria formulação iraniana do entendimento, registrada pela Reuters, também fala em cessação da guerra em todas as frentes, incluindo a resistência no Líbano.
Hezbollah pausou ataques, mas Israel ampliou ofensiva
Três fontes libanesas próximas ao Hezbollah disseram à Reuters que o grupo interrompeu seus ataques contra alvos israelenses no início da quarta-feira. O deputado Ibrahim al-Moussawi afirmou que o movimento se considerava incluído no cessar-fogo e acusou Israel de violá-lo com ataques em todo o país. Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun defendeu que qualquer arranjo regional duradouro inclua também o Líbano.
A escala da ofensiva reforçou a percepção de que a trégua é, no mínimo, parcial. A Reuters descreveu o ataque israelense como a maior operação coordenada desse front da guerra, e a AP relatou bombardeios em Beirute central sem aviso, com incêndios, pânico e ambulâncias correndo por áreas densamente povoadas.
Ormuz segue longe da normalidade
Ao mesmo tempo, o Estreito de Ormuz continuou sob forte incerteza. Em vez de uma reabertura plena, a Reuters informou que Teerã trabalha com uma abertura apenas limitada e controlada, possivelmente na quinta ou sexta-feira, exigindo coordenação obrigatória de todos os navios com as forças militares iranianas.
Essa é uma diferença importante em relação à leitura mais apressada de que a crise no estreito foi resolvida. O que aparece nas fontes checadas é um corredor marítimo ainda submetido a regras excepcionais, sem retorno ao fluxo normal. Em outra peça, a Reuters resumiu que o Irã aceitou permitir trânsito seguro por Ormuz durante a trégua, mas apenas sob coordenação com suas Forças Armadas. A AP também relatou que Teerã continua tentando manter controle rígido sobre a passagem.
Trégua fragilizada desde o primeiro dia
A fragilidade do acordo apareceu também em outros pontos da região. Reuters e AP relataram novos ataques e incidentes horas depois do anúncio da pausa, o que alimentou dúvidas imediatas sobre a solidez do cessar-fogo. Ao mesmo tempo, Washington, Teerã, Islamabad e Tel Aviv mantêm versões diferentes sobre o alcance real do acordo e sobre o que exatamente foi aceito por cada lado.
Na prática, o quadro desta terça mostra que a trégua reduziu o risco de um ataque americano imediato contra o Irã, mas não estabilizou o tabuleiro regional. O Líbano virou o ponto mais explosivo da crise, enquanto Ormuz segue como corredor estratégico sob controle coercitivo de Teerã.



