Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (6) que os Estados Unidos possuem grandes quantidades de munições e ameaçou os responsáveis pelo vazamento de informações sobre os estoques militares do país. A declaração veio após a divulgação de dados indicando que a guerra contra o Irã consumiu grande parte de alguns dos principais mísseis americanos de longo alcance.
Em uma publicação no Truth Social, Trump rejeitou relatos de que os arsenais do Pentágono estariam em níveis preocupantes. O presidente disse que novas munições estão sendo fabricadas e enviadas aos Estados Unidos, enquanto empresas de defesa ampliam fábricas e capacidade produtiva.
Trump também afirmou que os responsáveis por divulgar os dados estão sendo procurados. Ele classificou as informações vazadas como “traiçoeiras” e disse que longas penas de prisão poderiam ser aplicadas aos envolvidos. Até a publicação, não havia anúncio público sobre fontes identificadas, prisões ou acusações formais relacionadas à reportagem.
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“Os Estados Unidos possuem enormes quantidades de ‘munições’, especialmente de certos tipos. Além disso, grandes quantidades estão sendo fabricadas e enviadas aos Estados Unidos conforme necessário. As empresas de defesa estão construindo o maior número de instalações e fábricas da história do nosso país. Os ‘vazadores’ dessas declarações traiçoeiras estão sendo caçados. Serão buscadas longas penas de prisão! Presidente DJT”
Relato trata de mísseis específicos
A apuração que antecedeu a reação de Trump não afirma que os Estados Unidos ficaram sem armas ou munições em geral. O relato trata principalmente de dois sistemas terrestres de precisão e longo alcance: o Army Tactical Missile System, conhecido como ATACMS, e o Precision Strike Missile, ou PrSM.
Três pessoas familiarizadas com dados internos disseram à Reuters que o Exército americano consumiu grande parte do estoque mundial desses armamentos durante os cinco meses de guerra contra o Irã. Duas delas afirmaram que foram utilizados “praticamente todos” os ATACMS e PrSM disponíveis. O número exato de unidades restantes não foi divulgado.
Os dois sistemas permitem atingir alvos a longas distâncias sem colocar imediatamente aeronaves e pilotos dentro do alcance das defesas inimigas. O ATACMS está em processo de substituição pelo PrSM, modelo mais recente cuja produção ainda ocorre em escala limitada.
Uma das fontes também estimou que os Estados Unidos utilizaram pouco menos da metade de seus mísseis de cruzeiro Tomahawk. A Reuters informou que não conseguiu verificar esse percentual de forma independente.
Arsenal amplo não elimina redução de sistemas estratégicos
A declaração de Trump e os dados sobre os mísseis não são necessariamente incompatíveis. Os Estados Unidos ainda possuem um arsenal militar amplo, formado por diferentes tipos de bombas, projéteis, interceptadores e mísseis. A controvérsia está na disponibilidade de determinados sistemas avançados, que possuem produção mais lenta e são importantes para outros cenários de guerra.
O Center for Strategic and International Studies estimou, no fim de julho, que o estoque americano havia caído para menos de mil interceptadores Patriot e aproximadamente 250 unidades do sistema THAAD. A redução poderia obrigar os Estados Unidos a selecionar com maior rigor quais ameaças interceptar em uma nova escalada.
Outra análise do centro concluiu que a reposição de Tomahawk, Patriot e THAAD pode levar vários anos. O estudo afirma que os Estados Unidos ainda possuem munições suficientes para cenários plausíveis na guerra contra o Irã, mas estão mais expostos caso precisem responder simultaneamente a uma crise no Pacífico.
Produção está sendo ampliada
A indústria militar americana passa por uma expansão real. A Casa Branca anunciou acordos para ampliar a fabricação e manutenção de ATACMS, interceptadores Patriot, mísseis AMRAAM e outros sistemas, incluindo projetos desenvolvidos em parceria com aliados da Otan.
O governo também adotou medidas para fortalecer cadeias domésticas de materiais e componentes empregados na fabricação, manutenção e reparo de equipamentos militares. Documentos oficiais reconhecem gargalos de produção, dependência de fornecedores e longos prazos para ampliar determinadas capacidades.
A expansão das fábricas, porém, não repõe imediatamente os armamentos utilizados. Sistemas avançados exigem linhas industriais especializadas, componentes críticos, testes e contratos de longo prazo.
A disputa sobre os estoques ocorre enquanto Washington avalia os próximos passos contra o Irã. A disponibilidade de mísseis influencia não apenas a capacidade de continuar os ataques no Oriente Médio, mas também o nível de preparação para crises envolvendo outras potências militares.



