O petróleo fechou em alta nesta quinta-feira (25) depois que um navio de carga foi atingido por um projétil perto de Omã, em um episódio que reacendeu dúvidas sobre a segurança no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do comércio global de energia.

O movimento ocorreu mesmo após os embarques de petróleo pelo estreito subirem ao maior nível desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro. A melhora no fluxo reduziu parte da pressão sobre o mercado, mas não eliminou o risco de novas interrupções na região.

O Brent fechou em alta de 2,1%, a US$ 75,26 por barril. O petróleo americano WTI avançou 2,3%, a US$ 71,92. Na quarta-feira, os dois contratos haviam encerrado no menor nível desde 27 de fevereiro, véspera do início do conflito.

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Fluxo melhora, mas ainda não voltou ao normal

Dados citados pela Reuters mostram que quatro petroleiros transportando 6 milhões de barris de petróleo atravessaram Ormuz nesta quinta-feira. Outros dois navios levaram cerca de 4 milhões de barris de petróleo iraniano. Na quarta, seis petroleiros haviam escoado aproximadamente 10,8 milhões de barris.

A recuperação, porém, ainda é parcial. Antes da guerra, cerca de 125 navios passavam diariamente pelo estreito. O tráfego atual segue abaixo desse patamar, e a própria estimativa do volume total é dificultada por falhas em sinais de rastreamento e por embarcações que não exibem publicamente seus movimentos.

Navios também passaram a evitar a área central da rota marítima, onde há preocupação com minas e riscos de segurança. Muitos têm preferido navegar próximos ao lado de Omã, em vez de usar águas iranianas ou o corredor central tradicional.

Ataque perto de Omã muda o humor do mercado

O ataque ao cargueiro perto da costa de Omã interrompeu o clima de alívio que havia se formado no mercado. Autoridades americanas disseram à Reuters que o Irã disparou contra a embarcação. O navio tentava atravessar a região próxima ao estreito quando relatou ter sido atingido.

Após o episódio, a Organização Marítima Internacional, agência da ONU para transporte marítimo, pausou um plano voluntário que buscava ajudar navios e tripulações retidos no Golfo a sair pela passagem de Ormuz. A decisão aumentou a percepção de que o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã ainda pode enfrentar obstáculos práticos.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a passagem segura pelo estreito só seria possível por rotas designadas por Teerã e alertou que medidas poderiam ser tomadas contra embarcações que não cumprissem as exigências iranianas.

EUA tentam tranquilizar aliados do Golfo

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerrou uma viagem ao Golfo tentando convencer aliados regionais de que um eventual acordo com o Irã não comprometerá a segurança dos países árabes. A preocupação central é que Teerã use Ormuz como instrumento de pressão econômica e geopolítica.

Em reunião no Bahrein, Rubio afirmou que qualquer acordo com o Irã levará em conta os interesses dos aliados dos EUA na região. Washington e os países do Conselho de Cooperação do Golfo defenderam navegação livre, irrestrita e sem cobrança de taxas pelo Estreito de Ormuz.

Impacto para o Brasil

Para o Brasil, a crise em Ormuz importa principalmente pelo efeito potencial sobre petróleo, dólar, fretes e inflação. Uma rota mais estável tende a reduzir pressão sobre os preços internacionais, mas qualquer novo ataque pode recolocar prêmio de risco no barril.

Isso não significa, porém, queda ou alta automática nos postos brasileiros. A Petrobras afirma que sua estratégia comercial para diesel e gasolina usa referências de mercado, mas sem subordinação obrigatória ao preço de paridade de importação. A estatal também diz que os reajustes não têm periodicidade definida, para evitar repasse automático da volatilidade internacional e cambial.

Na prática, o Brasil acompanha dois movimentos ao mesmo tempo: o alívio causado pela retomada parcial do fluxo em Ormuz e o risco de que novos incidentes no Golfo voltem a pressionar combustíveis, transporte e expectativas de inflação.