Israel realizou ataques contra alvos militares no oeste e no centro do Irã na madrugada desta segunda-feira (8), horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligar para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pedir que ele não retaliasse os mísseis iranianos lançados no domingo. Segundo o Times of Israel, Netanyahu concordou em adiar uma resposta maior, mas a Força Aérea Israelense agiu mesmo assim, atingindo o que chamou de infraestrutura do "regime terrorista iraniano". Um oficial americano disse que uma retaliação israelense em larga escala não deve ser "iminente".

A escalada acontece no momento mais delicado das negociações entre Washington e Teerã desde o início da guerra, em fevereiro.

Israel atacou ~15 alvos — Teerã, Isfahan e Tabriz

As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram os ataques em publicação no Telegram, sem fornecer detalhes sobre os alvos ou o volume da operação. Relatórios iranianos, citados pelo Times of Israel, indicam que cerca de 15 locais foram atingidos. A Al Jazeera reportou que um deles era um depósito de drones em Teerã. Alguns veículos também mencionaram o Aeroporto Internacional de Mehrabad, em Teerã, entre os possíveis alvos, dado ainda sem confirmação independente.

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Os Guardas Revolucionários iranianos confirmaram em comunicado que Israel utilizou mísseis balísticos lançados por via aérea. A mídia estatal iraniana registrou explosões em Teerã, Tabriz e Isfahan. O Irã fechou o espaço aéreo ao redor do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, o principal da capital.

No norte de Israel, hospitais foram transferidos para instalações subterrâneas, escolas foram fechadas e o horário de ônibus foi reduzido após o Irã disparar 10 mísseis contra a região no domingo, todos interceptados pelas defesas israelenses, segundo o IDF.

Trump: "Cada um deles se divertiu. Não precisamos de mais um"

Antes dos ataques israelenses ao Irã, Trump tentou conter a escalada. Ao Axios, o presidente americano afirmou que ligou para Netanyahu com um recado direto: "Cada um deles se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de mais um." À emissora israelense KAN News, disse que "Israel respondeu o suficiente, não há necessidade de mais".

Trump também deixou claro quem, na sua visão, manda nas negociações. "Eu dou todas as ordens. Não é ele", afirmou ao Financial Times, referindo-se a Netanyahu.

No programa "Meet the Press", da NBC, Trump disse que as duas partes estão "muito perto" de assinar um acordo, mas que alguns pontos ainda estão sendo discutidos. Entre eles: uma cláusula para impedir que o Irã desenvolva, compre ou adquira armas nucleares. "Não quero que tudo exploda por causa do que está acontecendo agora", disse.

Apesar do pedido americano, Israel avançou com os ataques durante a madrugada. Segundo o Times of Israel, Netanyahu concordou apenas em adiar uma resposta de maior escala, sinalizando que Israel considera o episódio longe de encerrado.

O ciclo que não para: Beirute, mísseis iranianos, Iraque e Jordânia

A cronologia dos últimos dois dias resume o impasse que Trump tenta resolver. No domingo de manhã, Israel atacou Dahiyeh, no sul de Beirute (reduto do Hezbollah), quebrando a trégua anunciada pelos EUA na semana anterior. Netanyahu afirmou ter ordenado pessoalmente os ataques em resposta a foguetes do Hezbollah. O Irã respondeu com uma salva de mísseis contra Israel, todos interceptados.

A escalada extrapolou as fronteiras do conflito central. O Irã também declarou ter atacado "grupos terroristas" no Curdistão iraquiano. Os EUA alertaram cidadãos americanos na Jordânia para buscar abrigo devido a mísseis no espaço aéreo do país.

A guerra, iniciada em fevereiro com ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, completou 100 dias neste fim de semana. O Estreito de Ormuz segue parcialmente bloqueado pelo Irã desde abril, Washington mantém bloqueio nos portos iranianos em contrapartida.